Trabalhar em conjunto, especialmente em segmentos ligados à biotecnologia e segurança alimentar, é o caminho mais eficiente para impulsionar o setor agrícola e garantir o fornecimento global de alimentos. Essa foi a mensagem deixada por Ted McKinney, presidente da Associação de Secretários de Agricultura dos EUA (Nasda), em sua participação especial no evento Agro Horizonte, realizado por Globo Rural e Valor Econômico em parceria com a Corteva Agriscience e com o apoio do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). O executivo deu exemplos de boas práticas desenvolvidas na agricultura americana e ressaltou que o Brasil é um parceiro fundamental para a sua economia.
Subsecretário do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos durante o primeiro governo de Donald Trump, McKinney reforçou que as relações econômicas com o Brasil devem se aperfeiçoar pelo histórico de parceria bicentenária entre os dois países. E que a recente conversa entre os presidentes Lula e Trump ajudou a amenizar as tensões em busca de um entendimento comum.
“Por que não nos aproximamos mais? Sempre foi assim no passado, uma parceria de ganhos. Nossos países têm oportunidades importantes para aprimorar suas economias agrícolas”, declarou.
McKinney classificou a relação com o setor de etanol como “injusta”, ressaltando a falta de reciprocidade no acesso aos mercados. Para ele, enquanto o biocombustível brasileiro entra nos EUA, os produtores americanos enfrentam barreiras para exportar ao Brasil. “O etanol de vocês chega para a Califórnia e o Arizona. Ótimo, mas ainda não conseguimos vender o nosso combustível para o Brasil”, enfatizou.
Relações comerciais com a China
Já em relação às medidas impostas à China, McKinney afirma que, mesmo com um clima hostil, é possível sentar à mesa para negociar. “A China, por exemplo, travou biotecnologias que poderiam ter uma contribuição para todos nós. Os agricultores não podem usar porque não foram aprovados”, observou.
O executivo defendeu uma aliança entre Brasil e EUA para pressionar o país asiático a liberar mais rapidamente a importação de seus produtos. “A China hoje é um grande parceiro do Brasil, e eu parabenizo vocês pelo aumento da produtividade.” Para ele, o Brasil poderia aproveitar essa boa relação para gerar oportunidades a outros países, e ajudar a criar mecanismos de negócios que beneficiem também outras nações.
McKinney estendeu suas críticas à União Européia. Para o executivo, a adoção de medidas mais rigorosas na área ambiental afetou o comércio agropecuário americano. “Não é justo dizer como devemos produzir baseado em uma realidade que não é a nossa. Já somos carbono positivo há muito tempo, e isso não é levado em conta. Em vez de proibir, poderíamos nos reunir para lidar com essa situação”, pontuou.
Ele também reforçou a importância de retomar iniciativas como os “Big Five” – aliança formada no passado entre Estados Unidos, Brasil, Argentina, México e Canadá -, com o objetivo de fortalecer a cooperação entre os principais países agrícolas das Américas em temas regulatórios, biotecnológicos e de comércio internacional.
Para encerrar, deixou uma mensagem de apoio e reciprocidade política. Para McKinney, as diferenças podem ser resolvidas por meio de francas negociações, e é fundamental que novas oportunidades estejam ancoradas em princípios científicos e inovadores. “Nós queremos estar juntos de todos. Estou ansioso para ouvir as propostas, e saibam que consideraremos todas elas, com foco no equilíbrio entre as partes”.

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