Agronegócio brasileiro é protagonista da ação climática, diz CNA

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, afirmou nesta quinta-feira (6/11) que o mundo precisa reconhecer a singularidade da agricultura tropical e que o setor produtivo brasileiro é protagonista da ação climática. Ele defendeu financiamento adequado e métricas que contemplem as especificidades da produção agropecuária para evitar barreiras comerciais injustas.

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Durante abertura do COP30 Farmers’ Summit, evento que reúne agricultores de todo o mundo na sede da entidade em Brasília, Martins disse que “está na hora de escutar quem está na linha de frente”, em referência aos produtores rurais, para a formulação de políticas públicas de combate às mudanças climáticas.

“A agropecuária brasileira é parte essencial da solução”, afirmou Martins. Segundo ele, o Brasil é referência em tecnologias de baixo carbono, recuperação de pastagens e manejo eficiente dos recursos naturais, mas é fundamental que o mundo reconheça a singularidade da agricultura tropical.

“Precisamos de políticas, financiamentos e métricas que reconheçam e respeitem nossas condições e garantam uma transição justa, sem penalizações comerciais unilaterais”, completou em discurso no evento organizado pela CNA e a World Farmers’ Organisation (WFO). O encontro discute a posição dos produtores rurais do mundo para a COP30.

O dirigente também defendeu o multilateralismo e a valorização da sustentabilidade no comércio internacional.

“Defendemos o fortalecimento do multilateralismo e um comércio internacional que valorize quem produz com responsabilidade”, concluiu. A construção dessas “soluções equilibradas” se dará por meio de diálogo entre governos e atores privados, disse.

No mesmo evento, o diretor-geral-adjunto do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Lloyd Day, disse que a agricultura é parte da solução para o combate às mudanças climáticas e não o vilão. “O problema é a falta de recursos e as interferências governamentais”, disse. Ele afirmou que é necessário implementar uma “nova narrativa”, que rejeite a agricultura como um sistema falho e a mostre como uma atividade bem-sucedida e que tem melhorado a cada dia.

Arnold Puech d’Alissac, presidente da WFO, disse que os padrões que antes guiavam a geração de agricultores estão “desaparecendo diante dos nossos olhos” e que os problemas climáticos estão cada vez mais comuns. “O custo da produção cresce drasticamente, ao mesmo tempo nosso setor está passando por mudanças estruturais, com mudanças intergeracionais, a necessidade de criar modelos de produção”, apontou.

Ele disse que, frequentemente, o debate climático fala de agricultores sem falar com os agricultores. Alissac espera que a COP30 seja diferente.

“As políticas são elaboradas longe do campo. A COP30 será a COP da ação, que passa das intenções para ações concretas, para atingir objetivos já fixados. Todas as discussões devem começar por meio da participação dos agricultores. Iremos evocar a discussão climática com a realidade do campo, refletindo a vida dos que trabalham e protegem a terra”, apontou em discurso na abertura do evento.

“Que a nossa ação e resiliência sejam reconhecidas. Se o mundo quiser atingir objetivos climáticos, precisa dos agricultores”, completou.

Daniel Trento, assessor da diretoria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), afirmou que o mundo precisa de ações de adaptação às mudanças climáticas, o que já foi feito no Brasil e que pode ser repetido, mas demanda investimentos.

“Fizemos no passado e sabemos como fazer no futuro, mas transferir tecnologia demanda financiamento. Quem vai pagar a conta será o produtor? Temos como fazer, mas é preciso discutir isso de forma mais pragmática, pois tem um custo para isso”, afirmou.

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