O consumo de café no Brasil dá sinais claros de recuperação no segundo semestre e pode neutralizar, no último quadrimestre do ano, a queda no consumo observado nos primeiros oito meses de 2025. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Pavel Cardoso.
“O consumo dá sinais claros de que segue vigoroso no segundo semestre. Em agosto, contra julho, as vendas subiram 10,97%, e setembro também cresceu bem. Então a expectativa é que no último quadrimestre do ano haja uma neutralização em relação à queda que tivemos nos oito primeiros meses”, afirmou Pavel.
Ele acrescenta que a recuperação no consumo deve-se à troca de marcas e à troca de produtos por blends com preços mais baixos.
Lei aprovada na Câmara
A Abic manifestou apoio à aprovação ontem (4/11), na Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei 2307/07, que endurece as punições nos casos de falsificação e adulteração de alimentos e bebidas, incluindo o café.
O texto aprovado estabelece que a falsificação ou alteração intencional de produtos alimentícios será considerada crime hediondo quando resultar em morte ou lesão corporal grave. A pena prevista é de reclusão de quatro a oito anos, podendo dobrar em caso de reincidência ou se o infrator atuar no ramo alimentício.
Para a Abic, a medida representa um avanço importante na proteção da qualidade e da autenticidade dos cafés brasileiros e fortalece os instrumentos de combate à falsificação. “Enxergamos como mais uma vitória que o consumidor brasileiro tem com a segurança do alimento”, disse Pavel.
Ele observou que, na década de 1980, cerca de 30% do café consumido no país era impuro, com algum tipo de fraude. Com a criação do Selo Abic de qualidade e o trabalho de fiscalização, atualmente, menos de 1% do café tem algum tipo de fraude, segundo Pavel. “Sabendo que consumimos quase 90 mil toneladas de café por mês, 1% ainda é um volume importante que chega ao consumidor de forma impura. Então, apoiar a nova legislação sepulta de maneira conclusiva a fraude no Brasil”, afirmou o executivo.
O texto segue para análise no Senado.
Marca Cafés do Brasil
Nesta quarta-feira (5/11), Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Conselho Nacional do Café (CNC), Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) Associação apresentaram a reformulação da marca institucional “Cafés do Brasil”.
O projeto foi desenvolvido durante 11 meses e envolveu o trabalho de diagnóstico, pesquisa, entrevistas com diferentes atores da cadeia, análise de concorrência e estudo dos atributos e imagem. Segundo as associações, o principal objetivo é levar informações reais sobre o café brasileiro e destacar qualidade e a sustentabilidade da produção de café no país.
“Essa nova marca inaugura um novo capítulo para o ecossistema Cafés do Brasil. Esse rebranding da marca resgata nossa identidade, nossa essência, ele celebra 300 anos de produção de café no Brasil”, disse Pavel.
Aguinaldo Lima, diretor de relações institucionais da Abics, disse que a mudança da marca era necessária para o setor posicionar melhor o café brasileiro no mercado internacional.
“Se a gente tem condições e produz de forma ambientalmente correta, socialmente correta, a gente só precisa contar isso”, afirmou Lima.
Os executivos participam da Semana Internacional do Café (SIC), realizada em Belo Horizonte entre os dias 5 e 7 de novembro.

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