O futuro sustentável do agronegócio passa pela boa gestão

Já estamos na contagem regressiva para a COP30, uma das principais agendas ambientais globais, despertando o interesse de governos, sociedade e empresas. Quando as lideranças se reunirem em Belém, no Pará, o agro brasileiro terá a chance de demonstrar que sustentabilidade e produtividade não são opostas, mas, sim, sinônimos de um mesmo conceito: eficiência, por meio da integração entre gestão, tecnologia e recursos humanos.

No Brasil, anualmente, os dados econômicos demonstram que o agro permanece no centro da economia. E isso não ocorre por acaso. Segundo o IBGE, somente a agropecuária cresceu mais de 10% no segundo trimestre de 2025, em comparação ao período homólogo em 2024.

E mais: a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) estima que o Produto Interno Bruto (PIB) do setor encerre o ano gerando R$ 3,79 trilhões, representando quase 30% do PIB nacional, o maior nível dos últimos 22 anos.

Não há dúvidas de que esse setor é fundamental para a economia, mas ainda há espaço para divulgar, cada vez mais, pontos de destaque que o conectam com as “pautas verdes”. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil se destaca entre os grandes agroexportadores no indicador “produção por unidade de emissão de gases de efeito estufa (GEE)”. De 1990 a 2020, a taxa de crescimento foi de aproximadamente 3,9% na pecuária na agricultura.

 — Foto: Globo Rural
— Foto: Globo Rural

Outro dado relevante é o chamado “efeito poupa-florestas”, que mede a área poupada devido à eficiência tecnológica. Em 2020, ele atingiu 43,2% do território nacional, o maior percentual entre os países comparados.

Esses resultados reforçam um entendimento-chave: sustentabilidade no agro não se limita à conservação ambiental. Ela se constrói com eficiência em toda a cadeia. É o manejo que extrai mais com menos, é a lavoura que reduz desperdício, é o maquinário que economiza energia, é o dado que orienta decisões. Nessa realidade, a gestão se torna essencial, pois a tecnologia sozinha não basta. Ela exige indicadores, processos, disciplina e uma cultura de melhoria contínua.

Um outro estudo, este da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), diz que fazendas que adotam o sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) registraram índices de sustentabilidade acima de 91 em uma escala de 0 a 100, cobrindo as dimensões econômica, social e ambiental. Ou seja, práticas bem geridas e diversificadas são ecologicamente corretas e economicamente competitivas. Ponto para o agro.

No contexto atual, onde a COP30 terá como foco o bioma amazônico, essa conexão entre eficiência e sustentabilidade também ganha escala. O agro pode se posicionar como protagonista de “baixo carbono”, por exemplo, não apenas por preservar área ou cumprir metas, mas por provar que é possível produzir com excelência, rastreabilidade e responsabilidade.

O Pará, anfitrião do evento, tem papel simbólico e prático: cadeias como grãos, pecuária, florestas e bioeconomia que adotarem gestão e tecnologia estarão alinhadas às exigências internacionais e à agenda verde global. Para o produtor rural, isso significa agir sobre três vetores críticos: gestão rigorosa, com metas, desempenho assistido e redução de perdas; tecnologia com foco em resultado, como sensoriamento remoto e automação, conectados a processos eficientes; e visão sistêmica e de longo prazo.

Na prática, o produtor que mede, compara e melhora não apenas colhe mais. Ele conserva mais. E essa é a mensagem que o agro brasileiro precisa levar à COP30: sustentabilidade não é custo adicional, é o resultado direto da boa gestão.

Quando Belém abrir as portas para o mundo, o Brasil terá uma grande oportunidade: mostrar que o agro nacional, ao investir em tecnologia e gestão, não está à mercê das exigências globais, mas está pronto para liderar. E isso vai além do discurso: trata-se de execução. Porque no campo, como em qualquer negócio, quem não mede, não gerencia; quem não gerencia, não melhora; quem não melhora, não se sustenta.

*Andre Paranhos é vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Agronegócio

As ideias e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial da Globo Rural

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