IPCA: inflação de alimentos e bebidas teve estabilidade em outubro

A inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou para 0,09% em outubro, após alta de 0,48% em setembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esta foi a menor alta para o mês de outubro desde 1998, quando tinha sido de 0,02%. É o segundo aumento menos intenso da série histórica desde o Plano Real. A taxa, no entanto, também ficou próxima a outubro de 2019, quando subiu 0,10%. Em 2025, quando se considera os dados até outubro, o IPCA acumula alta de 3,73%.

Na composição do IPCA de outubro, interrompendo uma sequência de quedas, o grupo alimentação e bebidas, que possui o maior peso na estrutura do indicador, apresentou praticamente estabilidade na média de preços, variando 0,01%. Essa foi a primeira alta para o segmento desde maio. O índice não exerceu pressão no resultado geral da inflação e é o menor resultado para um mês de outubro desde 2017, quando foi de -0,05%.

A alimentação no domicílio caiu 0,16%, com destaque para as quedas do arroz (-2,49%) e do leite longa vida (-1,88%). Dentre as altas, destaca-se a batata-inglesa (8,56%) e o óleo de soja (4,64%).

“Isso, aliado à queda no grupo Habitação, contribuiu para a desaceleração observada. A título de ilustração, o resultado do índice de outubro sem considerar o grupo dos alimentos e a energia elétrica ficaria em 0,25%”, explica Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE.

Já a alimentação fora do domicílio acelerou na passagem de setembro (0,11%) para outubro (0,46%). Em igual período, o subitem lanche saiu de 0,53% para 0,75%, e a refeição foi de -0,16% para 0,38%.

A deflação de alimentos foi destaque positivo em outubro ao contrariar a sazonalidade de fim de ano, e foi a maior surpresa do IPCA de outubro, diz o banco Daycoval.

“Esperava que a alimentação no domicílio voltasse ao campo positivo. Em geral, o último trimestre do ano é de sazonalidade altista. Só que acabou acontecendo o contrário”, diz Julio Cesar de Mello Barros, economista do Daycoval. “Mesmo os preços das carnes seguiram acomodados, contrariando a nossa expectativa de alta mais forte.”

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