Exportadores de café veem avanço nas negociações para redução de tarifas dos EUA

O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, afirmou que as principais indústrias torrefadoras dos Estados Unidos têm mantido diálogo direto com o Departamento de Comércio e com o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) para discutir uma possível isenção de tarifas sobre o café brasileiro.

Segundo Matos, o tema ganhou destaque após o presidente Donald Trump mencionar, nesta terça-feira (11/11), durante entrevista à Fox News, a possibilidade de retirada das tarifas incidentes sobre o produto.

O café, de acordo com dados citados pelo diretor, foi o alimento com maior alta de preços nos Estados Unidos no último mês, acumulando inflação de 21%, índice nove vezes superior à média geral da inflação norte-americana.

Em resposta ao movimento do setor nos Estados Unidos, o Cecafé informou ter enviado novos ofícios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacando o impacto das tarifas sobre as exportações brasileiras.

Matos relatou que as vendas de café do Brasil para os Estados Unidos caíram 46% em agosto, 52,8% em setembro e 54,4% em outubro. Segundo ele, essa redução representa uma perda significativa de espaço nas misturas (“blends”) das principais marcas norte-americanas, o que pode alterar o perfil sensorial do produto consumido no país.

O diretor lembrou que a Ordem Executiva assinada em 5 de setembro pelo governo norte-americano reduziu as tarifas de diversos países para cerca de 10%, enquanto o café brasileiro continua sendo taxado em 50%, o que, segundo ele, compromete a competitividade do produto nacional.

Matos alertou que, caso a situação persista, o consumidor norte-americano pode se adaptar a novos padrões de sabor, dificultando a reconquista do mercado pelos exportadores brasileiros.

O Cecafé defende que o Brasil e os Estados Unidos adotem uma estratégia de negociação “produto a produto”, começando pelo café, para destravar as conversas comerciais e reduzir resistências. Segundo Matos, o que o Cecafé está pedindo é que ambos os países “anunciem ao mercado e à sociedade que a negociação efetivamente começou”, com um exemplo concreto de isenção tarifária em um produto importante, como o café. “Essa é uma estratégia que pode destravar as negociações dado a esse cenário que estamos vendo de algumas resistências”, disse.

O Brasil é o maior fornecedor de café aos Estados Unidos, que consomem cerca de 24 milhões de sacas por ano. Em 2024, o país exportou 8,1 milhões de sacas ao mercado americano, segundo dados do Cecafé.

A tarifa de 50% sobre o produto brasileiro foi imposta em agosto, como parte de um pacote de medidas comerciais adotadas pelos EUA. No mês passado, durante encontro com Trump na Malásia, o presidente Lula solicitou a retirada das taxas sobre produtos brasileiros, incluindo o café.

Demais setores

Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) irá se reunir esta tarde, às 17h30, com o Vice-presidente Geraldo Alckmin, onde devem discutir o tarifaço. O setor de carnes também tem a expectativa de redução das tarifas.

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