Azeite proibido: saiba quais marcas foram apreendidas e como identificar fraude

Nesta quarta-feira (13), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou um comunicado alertando os consumidores sobre a venda de azeites de oliva impróprios para o consumo humano que não cumprem os requisitos de qualidade e pureza definidos pela legislação nacional.

A iniciativa, conduzida em conjunto com equipes de fiscalização e vigilância sanitária, com foco na proteção da saúde da população e na garantia de produtos seguros para o consumo, analisou quatro marcas brasileiras.

Segundo o Mapa, as análises detectaram misturas com outros tipos de óleos vegetais, o que caracteriza adulteração e engano ao consumidor. Diante das irregularidades constatadas, os produtos foram desclassificados e tiveram seu recolhimento determinado pelas autoridades competentes: Veja a seguir a lista das marcas que apresentaram não conformidades.

ROYAL (Lote 255001, Ceará)

  • EMPRESA RESPONSÁVEL (Embalador): T. Globo Importação e Exortação Ltda.
  • CNPJ: 15.135.338/0010-19
  • UF (Embalador): AL
  • Possui registro CGC/MAPA?: Sim
  • Irregularidade encontrada: Desclassificado
  • Supermercado ou Centro de Distribuição onde o produto foi coletado: Mateus Supermercados e Varejo S.A. – CNPJ 59.008.895/0022-88

GODIO (Lote 246002), Ceará

  • EMPRESA RESPONSÁVEL (Embalador): Super Rede Distribuidora, Importadora e Exportadora de Mercadorias em Geral Ltda.
  • CNPJ: 12.676.963/0001-99
  • UF (Embalador): CE
  • Possui registro CGC/MAPA?: Sim
  • Irregularidade encontrada: Desclassificado
  • Supermercado ou Centro de Distribuição onde o produto foi coletado: Bom Vizinho Distribuidora de Alimentos Ltda. – CNPJ 04.163.766/0016-24

LA VITTA (Lote 24081), Paraná

  • EMPRESA RESPONSÁVEL (Embalador): MM Distribuidora de Alimentos Cravinhos Ltda.
  • CNPJ: 19.142.177/0001-50
  • UF (Embalador): SP
  • Possui registro CGC/MAPA?: Não
  • Irregularidade encontrada: Desclassificado
  • Supermercado ou Centro de Distribuição onde o produto foi coletado: Supermercado São Paulo (Irmãos Mosoli Ltda.) – CNPJ 75.880.328/0001-49

SANTA LUCIA (Lote H L F42350), Santa Catarina

  • EMPRESA RESPONSÁVEL (Embalador): Comercial Alimentícia e Importadora Capital Mineira Ltda.
  • CNPJ: 32.599.328/0001-62
  • UF (Embalador): MG
  • Possui registro CGC/MAPA?: Sim
  • Irregularidade encontrada: Desclassificado
  • Supermercado ou Centro de Distribuição onde o produto foi coletado: MIG Atacado e Varejo Ltda. – CNPJ 85.244.168/0001-77

Por que o azeite é um dos produtos mais fraudados do mundo?

São três os motivos que explicam as armadilhas criadas por empresas para enganar o consumidor: alto valor agregado, produto muito apreciado e demanda superior à oferta.

Patricia Galasini, sommelier de azeites e presidente da Câmara Setorial de Olivicultura de São Paulo, conta que a fraude acontece pela adição de outros óleos para completar as embalagens de azeite de oliva. No entanto, as modificações não são informadas no rótulo. Óleo de amêndoas, de nozes e de frutas são, normalmente, os ingredientes mais usados, segundo ela.

“O azeite de oliva é única e exclusivamente o suco da azeitona. Ela é processada e sai o óleo. Não se coloca mais nada. Isso quando é um produto idôneo, genuíno e de qualidade. Quando tem outras possibilidades de venda, é considerado fraudulento porque teve a inclusão de outros óleos”, afirma.

Como identificar azeite fraudado?

Para evitar problemas na hora da compra, a especialista destaca cuidados que devem ser seguidos para ter um alimento de qualidade nas refeições. O principal deles é identificar no produto, entre o olfato e o paladar, a parte frutada, picante e amarga.

“Sei que, muitas vezes, não é possível provar, mas tem que ter um produto onde, na parte sensorial, note o frescor, que não remeta a um óleo pesado e que não tenha aroma e sabor desagradáveis. O azeite de qualidade deve entregar um frescor. Embora seja óleo, tem a questão da natureza, do verde e da clorofila”. Confira abaixo outras dicas:

  • Data de fabricação: azeites são melhores quando jovens, ou seja, é indicado comprar o produto mais novo da prateleira;
  • Validade: o limite para um azeite ficar fechado é de até 2 anos. Por isso, compre no mesmo ano em que foi extraído. Para descobrir isso, basta olhar no rótulo;
  • Armazenamento: o azeite deve estar longe da luz e do calor;
  • Lacre: observe se a parte em volta da tampa está vedada e sem entrada de ar;
  • Embalagem: a função dela é preservar as qualidades e características. O mais confiável é quando o azeite está dentro de uma garrafa de vidro de cor escura.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) completa a informação com três orientações importantes

  • Desconfiar de preços muito abaixo da média do mercado;
  • Conferir a lista de produtos irregulares apreendidos em ações do Mapa;
  • Não comprar azeite a granel;

Conforme o decreto nº 6.268, de 22 de novembro de 2007, somente pode ser destinado à alimentação humana o produto vegetal que:

  • Não represente risco à saúde pública;
  • Não esteja desclassificado;
  • Tenha assegurada a sua rastreabilidade;
  • Atenda às especificações aplicáveis estabelecidas no decreto ou em normas complementares.

“A azeitona é uma fruta que não dá muita quantidade de azeite de oliva. Então, são necessárias muitas azeitonas, pois elas ainda têm a água e o bagaço que não são aproveitados. Sempre a demanda é maior do que a oferta. E como o consumidor do mundo inteiro aprecia esse líquido, não há uma capacidade suficiente para a entrega. Diante disso, vão se fazendo subprodutos do azeite extravirgem de qualidade”, finalizaPatricia.

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