Após sociedade com Grupo Leste, Ramax faz ajuste de rota

Após a entrada do Grupo Leste em seu capital, o Ramax Group está fazendo um ajuste de rota. Em evento ontem, para parceiros comerciais, em Vinhedo, a empresa produtora e exportadora de carne bovina reforçou a meta de mais do que dobrar seu faturamento em 2026, saindo dos atuais R$ 2,5 bilhões previstos este ano, para R$ 6 bilhões.

Leia também

O número projetado para 2026, no entanto, é R$ 1 bilhão menor do que o anunciado anteriormente pela companhia. Ao Valor, Magno Gaia, CEO da Ramax, disse que o ajuste de rota faz parte de uma estratégia de expansão seletiva, traçada com o Grupo Leste, que anunciou recentemente o aporte de até R$ 600 milhões em três anos nos negócios do Ramax Group.

“Essa rota de negócios que traçamos em conjunto busca aumentar a assertividade e a produtividade das plantas atuais, sem aumentar o número de unidades. Em vez de crescer em quantidade, vamos focar em fortalecer estruturas alinhadas às exigências dos mercados internacionais”, afirmou.

Assim, disse ele, as plantas com dificuldades operacionais ou de exportação, como a de Cachoeira Alta (GO), deixarão de operar, e os clientes serão atendidos por outras unidades.

Uma das plantas que se destacam na operação e poderão atender mais clientes é a de Guarantã do Norte (MT). Segundo Fabrício Bossle, sócio da Leste, a unidade passou de um faturamento de R$ 773 milhões em 2022 para R$ 1,5 bilhão em 2025. “É um case onde conseguimos potencializar a produção e as vendas para exportação, que chegam a 80% do total comercializado”, afirmou à reportagem.

A meta do Ramax para 2026 é que todas as unidades vendam 70% da produção ao mercado externo. O objetivo, segundo Magno Gaia, é ter o “boi campeão”, vendendo cada corte para o local que pague mais. “Não são todas as plantas que vão atender aos diversos países. Cada uma é analisada para definirmos estrategicamente a qual país atender”.

Foco no mercado externo

E nesse cenário, as exportações para China e Israel aparecem como protagonistas. “A China, apesar das margens cíclicas, possui grande potencial de volume, enquanto Israel aparece como mercado de nicho, com alto valor agregado”, disse Gaia.

O grupo já trabalha para conquistar certificação para exportar aos Estados Unidos. O objetivo, aqui, não é tanto o mercado americano — que hoje aplica uma sobretaxa de 40% sobre a carne brasileira —, mas o fato de que a abertura dos EUA pode ser uma chancela para o Ramax exportar a outros países, como Canadá e México.

O foco das vendas para o Brasil será picanha e cortes premium, principalmente para a região Sudeste. Para reforçar a imagem no país, a companhia anunciou também ontem uma parceria com o piloto brasileiro Rubens Barrichello, que será o embaixador da marca a partir de agora.

Enquanto Berrichello empresta sua imagem ao grupo, o Ramax Group patrocinará atividades do Instituto Família Barrichello voltadas para o desenvolvimento da agricultura familiar em comunidades indígenas tradicionais.

“Nossa família tem como compromisso social promover a sustentabilidade das famílias, fornecendo capacitação. A agricultura familiar é o pilar das famílias indígenas e essa nova parceria permitirá que façamos mais aportes nesse sentido”, disse Barrichello à reportagem.

Fonte


Publicado

em

por

Tags:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *