Tecnologia ganha espaço no combate ao fogo no campo

Seis anos antes de a Amazônia sediar a COP30, o bioma atraiu a atenção global com uma série de queimadas em grande escala. Os incêndios também vêm castigando outros biomas e ameaçam não só as vegetações nativas, mas também áreas agrícolas. Por isso, crescem as opções de oferta de tecnologias para controle do problema.

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Diretamente da COP30, o CEO da agtech umgrauemeio, Tiago Menezes, diz querer democratizar o acesso à tecnologia da companhia — uma inteligência artificial que prevê focos de incêndio em áreas agrícolas — e atender pequenos produtores. A startup tem como principais clientes hoje grandes fazendas e empresas de silvicultura e sucroalcooleiras.

Tiago Menezes, CEO da umgrauemeio, quer ampliar alcance da tecnologia — Foto: umgrauemeio
Tiago Menezes, CEO da umgrauemeio, quer ampliar alcance da tecnologia — Foto: umgrauemeio

O sistema da startup, chamado Pantera, tem visão computacional com mais de 15 mil imagens treinadas para identificar fumaça e calor em tempo real.

O próximo passo da umgrauemeio é chegar aos pequenos e médios produtores com o lançamento do FAaaS (Fire Alert as a Service), um serviço de alerta que pode ser utilizado por grupos de produtores ou empresas, de forma colaborativa, sob assinatura ou com pagamento por uso.

Um dos clientes do Pantera é o Instituto do Homem Pantaneiro (IHP), organização sem fins lucrativos que atua na proteção do Pantanal sul-matogrossense. Hoje são cinco torres, que juntas monitoram 1,3 milhão de hectares.

Segundo Igor Souza, analista de sistemas do IHP, o principal fator para um combate eficiente aos focos é o tempo de resposta. “O método convencional por satélite é naturalmente lento, mas o Pantera resolve esse problema. Em cerca de cinco minutos já se obtém as coordenadas. Isso representa um dia de vantagem para as brigadas em comparação com o modo sem tecnologia”, afirma Souza.

O instituto possui o serviço desde 2022 com patrocínio da JBS. Os custos são de cerca de R$ 60 mil por torre por contrato, que tem duração de um ano, mais R$ 10 mil por mês para manutenção de cada torre.

A Agrotools também oferece uma plataforma que utiliza inteligência de dados e monitoramento em tempo real para prever e combater focos de incêndio. O monitoramento, via satélite, capta informações até três vezes ao dia.

Com o uso de inteligência artificial que processa as informações captadas por câmeras, a central de alertas gera um relatório de dados para os produtores agirem na área monitorada. As informações são transmitidas diariamente por Whatsapp.

Eugênio Mrozinski, diretor de vendas corporativas da empresa de conectividade Hughes do Brasil, ressalta que, para ativar essa tecnologias, é preciso que as áreas estejam conectadas. “Não adianta ter uma câmera de alta performance capaz de capturar dados e não conseguir enviar essas informações a uma central de controle”.

Ele diz que, entre 2023 e 2024, muitos clientes perderam maquinários e plantações por queimadas. Por isso, a Hugues decidiu integrar seu serviço de conectividade às soluções de vídeo de monitoramento e IA que detectam fogo.

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