COP 30: Iniciativa para financiar restauração de terras recebe apoio de nove países

Nove países anunciaram apoio à principal iniciativa global para financiar restauração de áreas degradadas para conversão em produção agropecuária. Anunciado nesta quarta-feira (19/11) na Conferência do Clima (COP30), em Belém, o Resilient Agriculture Investment for Net-Zero Land Degradation (Raiz) visa a garantir segurança alimentar, combater a crise climática e proteger a biodiversidade.

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A iniciativa é liderada pelo Brasil, sob condição da presidência da COP 30, com a atribuição de promover práticas sustentáveis em escala internacional. Austrália, Canadá, Alemanha, Japão, Arábia Saudita, Nova Zelândia, Noruega, Peru e Reino Unido manifestaram apoio. O Raiz ainda conta com parceira da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

“O Raiz representa o enorme potencial que temos adiante: trazer até um quinto das terras agrícolas do mundo de volta para um uso mais produtivo e sustentável”, disse Kaveh Zahedi, diretor do Escritório de Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente da FAO.

Ele ressaltou, no entanto, que os benefícios vão muito além da restauração. “Trata-se de manter a terra para a produtividade futura, proteger a produção e a segurança alimentar contra riscos climáticos, e garantir o uso sustentável da biodiversidade. É isso que as soluções de sistemas agroalimentares podem alcançar com os investimentos e parcerias certos”, acrescentou.

Estratégias de garantia de segurança alimentar e sistemas alimentares dominam parte relevante das agendas da COP nesta semana. Segundo Bruno Brasil, diretor do Departamento de Produção Sustentável da Secretaria de Desenvolvimento Rural do Ministério da Agricultura, o Raiz vai mapear terras degradadas ao redor do mundo e identificar soluções de investimentos.

A ideia é também criar novos mecanismos e conectá-los com os que já existem para ligar finanças públicas e privadas, dirigir a correção de terras degradadas, e fomentar compartilhamento de conhecimentos técnicos dentro das regiões para que as soluções ideais possam ser criadas.

Bases nacionais

De acordo com a Coalizão de Alimentação e Uso da Terra, governos e investidores são incentivados a se juntar à iniciativa e lançar mecanismos nacionais personalizados para a restauração de terras agrícolas.

“Bancos de desenvolvimento, investidores privados e parceiros filantrópicos são todos necessários para desbloquear soluções que tragam financiamento aos agricultores e restaurem as terras agrícolas produtivas do mundo”, afirma em nota.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, reforçou durante o evento que o Caminho Verde Brasil é o programa nacional voltado para recuperação de áreas degradadas.

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A Coalizão de Alimentação e Uso da Terra destaca que o Raiz é baseado na experiência do Caminho Verde Brasil, que foi lançado em 2023 como plano nacional de recuperação de pastagens degradadas, levantou cerca de US$ 6 bilhões em recursos públicos e privados para a restauração de 3 milhões de hectares de pastagens degradadas.

“Mais de 20% das terras agrícolas do mundo – cerca de 1 bilhão de hectares – estão atualmente degradadas. Solos degradados são menos produtivos e resilientes, contribuindo para a insegurança alimentar e incentivando a expansão para ecossistemas naturais, incluindo o desmatamento”, afirmou a coalizão.

Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, durante anúncio do programa Raiz — Foto: Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil Amazônia/PR
Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, durante anúncio do programa Raiz — Foto: Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil Amazônia/PR

De acordo com a entidade, reverter apenas 10% da degradação das terras agrícolas poderia restaurar 44 milhões de toneladas de produção anual de alimentos e atender às necessidades nutricionais de 154 milhões de pessoas. Porém, a percepção é de que o capital não está fluindo na escala necessária.

“Ainda existe uma lacuna de US$ 105 bilhões de financiamento, que os governos sozinhos não conseguem preencher. O setor privado poderia investir até US$ 90 bilhões em soluções baseadas na natureza em fazendas, mas tem dificuldades para mobilizar fundos devido aos altos custos iniciais, longos prazos de retorno e retornos variáveis”, explicou.

Desta forma, a participação dos governos é considerada fundamental na redução de riscos do capital privado.

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