Produtores do Pará apresentam pecuária sustentável na COP 30

No município de Castanhal (PA), o pecuarista Altair Burlamaqui mantém 600 hectares de pastagens, onde abate cerca de 2 mil cabeças de gado por ano para produção de carne premium. A Fazenda Carioca, que é do Pará apesar do nome, conta com o total de 1.100 hectares, considerando as áreas de preservação.

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Suas estratégias de rastreabilidade e verticalização viraram exemplo de pecuária sustentável na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que ocorre em Belém.

“Um dos desafios do Pará é conseguir cumprir a legislação ambiental, nós precisamos preservar 80% da área e produzir em 20%, mas existem pessoas sérias que produzem de forma ambientalmente correta e socialmente adequada”, disse o produtor na Agrizone, área destinada ao agro no evento.

Burlamaqui ressalta que todos os animais da fazenda são “brincados”, ou seja, utilizam brincos que indicam as informações de origem e rastreabilidade.

Produtor Altair Burlamaqui conta que a fazenda atende o mercado de carne premium — Foto: Arquivo pessoal
Produtor Altair Burlamaqui conta que a fazenda atende o mercado de carne premium — Foto: Arquivo pessoal

Há também produção de cria, recria e engorda, o que contribuiu para diminuir a dependência externa e minimiza o risco de comprar animais de áreas com algum tipo de ilegalidade.

Por não ser autossuficiente no ciclo completo, ele ainda compra parte do gado no mercado, mas conta com o auxílio de softwares que ajudam no monitoramento de fornecedores.

“A rastreabilidade é um caminho que todos os produtores terão que entrar, mas para que se consiga ter êxito nisso, ela precisa vir junto com a regularização ambiental e fundiária”, pontuou.

Os produtores da região precisam lidar com a correta demarcação de terras e desafios climáticos para a produção rural da região, uma vez que as condições são de chuva na metade do ano e seca no restante. Em municípios mais distantes da capital, ainda há gargalos com a logística precária.

Entretanto, os produtores veem grandes oportunidades na pecuária local. A Fazenda Carioca começou apenas com atividades de abate, mas precisou avançar para o varejo, com um açougue, e depois para a criação de um restaurante em busca de melhores margens, o que virou um processo verticalizado.

Ao mesmo tempo, Burlamaqui avançou nos estudos de produção até definir que as novilhas com genética de “médio sangue” entregariam uma carne de maior valor agregado.

“Hoje a fazenda atende o mercado de carne premium, fornece carne Kosher para 14 Estados e voltada à colônia judaica”, afirmou.

Biodiversidade

O pecuarista Mauro Lucio Costa mantém 4.356 hectares no município de Tailândia (PA), dos quais 880 hectares são de produção rural e o restante conservação ambiental. Da área produtiva, em 360 hectares há cultivo de grãos e 520 hectares de pecuária, com um rebanho médio de 2.600 cabeças.

Para ele, a rastreabilidade é um desafio que precisa se tornar realidade na pecuária como um todo, independentemente do porte do produtor, uma vez que os pequenos são fornecedores dos demais e precisam estar inseridos neste contexto de monitoramento e preservação ambiental.

 Mauro Lucio Costa é pecuarista em Tailândia (PA) — Foto: Arquivo pessoal
Mauro Lucio Costa é pecuarista em Tailândia (PA) — Foto: Arquivo pessoal

“A rastreabilidade é um trabalho não só do governo, mas de todos nós pecuaristas. Estamos no mesmo barco, no mesmo jogo”, afirmou à Globo Rural, durante evento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) na Agrizone.

Na fazenda dele, além da rastreabilidade, a principal ação sustentável está relacionada ao fomento à biodiversidade.

“Tenho um trabalho junto à Embrapa que quantifica e minimiza o efeito da minha produção para a biodiversidade local. Tenho plantio de árvores que não são para produção agrícola, são de essências exóticas, nativas e bosques que favorecem o ecossistema local”, explicou.

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