O governo federal abriu crédito extraordinário de R$ 190 milhões para ações do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) nesse fim de ano. Serão destinados R$ 160 milhões para a compra de milho para formação de estoques e repasse a pequenos criadores de animais, por meio do Programa de Venda em Balcão (ProVB), e R$ 30 milhões para a compra de mel e castanhas de cooperativas impactadas pelo tarifaço dos Estados Unidos, por meio da modalidade de Formação de Estoques do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Deverão ser adquiridas entre 80 mil e 90 mil toneladas de milho com os recursos, liberados por meio da Medida Provisória 1.325/2025, publicada em edição extra do Diário Oficial da União de segunda-feira (24/11). O montante também será usado para o custeio da logística para levar o produto dos pontos de produção até os locais de venda.
O diretor de Operações e Abastecimento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Arnoldo de Campos, disse que há um crescimento da demanda por milho, principalmente no Nordeste do país. O movimento é impulsionado pela alta nos preços do cereal no começo do ano e a seca que afeta a região e já comprometeu a produção própria dos pequenos criadores nordestinos.
“Estamos com um crescimento na demanda acima de 30%, comparado ao mesmo período do ano passado. Já vendemos mais este ano que todo ano passado. Estamos repondo os estoques de milho que foram formados em 2023 e garantindo um estoque de passagem para o primeiro semestre de 2026”, disse à reportagem.
Segundo Campos, houve necessidade adicional de recursos por conta de queda nos preços abaixo do mínimo em relação ao arroz, trigo e farinha de mandioca neste ano, cujas operações recentes consumiram os recursos do caixa estatal.
“Com isso, os recursos para AGF [Aquisições do Governo Federal] não foram suficientes e precisamos o crédito extraordinário. Sem esse crédito, poderíamos ficar com o programa de venda em balcão desabastecido no início de 2026, quando os preços do milho são geralmente bem mais elevados”, avaliou.

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