A cabernet sauvignon, uma das variedades de uva mais populares do mundo, surgiu no século 17 a partir do cruzamento entre cabernet franc e sauvignon blanc. Quatrocentos anos depois, pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Davis (UC Davis), descobriram que essa uva ainda mantém sinais moleculares herdados dos seus “pais”.
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De acordo com a pesquisa, essa memória está relacionada ao modo como as videiras são reproduzidas. Diferente de plantas como milho ou trigo, que se multiplicam por sementes, a videira é propagada por estacas.
Cada nova planta é praticamente um clone da original, o que faz com que todos os pés de cabernet sauvignon cultivados hoje compartilhem quase o mesmo código genético da videira criada há cerca de quatro séculos.
Os pesquisadores analisaram a estabilidade de marcas epigenéticas que modulam a expressão gênica sem alterar o DNA, investigando se esses sinais regulatórios persistem após longos períodos de clonagem.
O estudo mostrou então que parte dessas marcas permanece estável ao longo dos séculos. Para chegar a esse resultado, a equipe montou mapas genéticos detalhados da cabernet sauvignon e de suas variedades ancestrais, cabernet franc e sauvignon blanc.
Os cientistas também analisaram diferentes clones de cada uva e utilizaram um modelo genômico avançado, que permite identificar pequenas variações com mais precisão do que abordagens tradicionais.
Embora clones distintos apresentem algumas diferenças, existe um conjunto central de marcas epigenéticas que se mantém estável ao longo do tempo. Segundo os pesquisadores, esse tipo de informação ajuda a compreender como plantas de vida longa se adaptam ao clima e como essas adaptações deixam registros duradouros.
Se certas respostas epigenéticas a estresses como calor intenso ou falta de água forem estáveis, elas podem se tornar ferramentas valiosas para selecionar plantas mais resistentes sem alterar o DNA. A expectativa da equipe é que, em um cenário de mudanças climáticas, esse conhecimento pode auxiliar a preservar padrões de qualidade e produtividade em cultivos como a videira.

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