O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo, afirmou que o setor continua com “otimismo natural” em relação à reversão do tarifaço dos Estados Unidos e diante de outros percalços encarados em 2025.
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“Somos um setor que sempre andou sem muleta, que nunca teve uma linha de crédito e financiamento específico, nunca teve um perdão de nada, nunca teve benefício de nada”, afirmou.
Segundo ele, o cenário atual é o oposto disso. Além de ser mantido sob as tarifas adicionais dos EUA de 50%, enquanto outros segmentos tiveram isenção, as empresas de pescados listam uma série de medidas que prejudicaram o desempenho em 2025 e que poderão comprometer os resultados no ano que vem.
“A atividade está desacelerando, a cadeia produtiva está diminuindo, é uma diminuição lenta. Devemos ter perdido em torno de 2,5 mil postos de trabalho e deixado de exportar mais de US$ 250 milhões em 2025”, disse Lobo. “O ano de 2026 era um ano que projetava 30% de crescimento, ia ser uma explosão, mas 2025 ainda não acabou”, avaliou.
Entre os pontos de atenção do setor estão a exclusão da sardinha em lata da cesta básica desonerada na reforma tributária, a taxação do salmão e a redução da tarifa de importação da sardinha da China. “Nosso mercado está sendo invadido de sardinha em lata chinesa”, disse. “Em contrapartida, a partir de 2026, vamos ter a nossa sardinha em conserva fora da cesta básica”, observou.
“Para coroar, tivemos a liberação da importação da tilápia vietnamita que chega com um preço muito abaixo do que conseguimos produzir, sendo uma concorrência até desleal”, acrescentou o executivo. “O setor está sobrevivendo. Temos esperança de que dias melhores aconteçam”.
Uma das esperanças para 2026 é a auditoria da União Europeia marcada para ter início em 19 de junho. O mercado europeu está fechado desde 2017.
“É uma excelente notícia, é um fato concreto, é uma conquista do setor junto com o Ministério da Agricultura e o Ministério da Pesca e Aquicultura. Estamos organizados, preparados, não vamos ter problema nessa auditoria. Ela vai encontrar o melhor serviço de inspeção federal do mundo”, disse.
Segundo ele, o embargo do bloco europeu não teve motivação sanitária, mas sim política. “Temos tranquilidade e segurança na cadeia produtiva brasileira. Esse problema do embargo nunca foi sanitário, era um problema político. Se o presidente da República continuar se empenhando na relação com a comunidade europeia, com certeza vamos conseguir voltar a exportar”, avaliou.
Questionado se a reabertura pode ocorrer ainda em 2026, Lobo disse que a medida é “realisticamente difícil”, mas que ele é um “realista otimista”.

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