O preço do milho avançou na bolsa de Chicago após cortes nas estimativas de oferta, e a indicação de demanda aquecida pelo cereal. Os contratos para março subiram 0,96% nesta terça-feira (9/12), a US$ 4,48 o bushel.
O último relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) de 2025 confirmou o que grande parte do mercado já precificava: a alta procura pelo milho americano. O órgão estimou que as exportações do país devem alcançar 81,28 milhões de toneladas em 2025/26. A projeção é 4,1% maior que a divulgada pelo departamento em novembro.
“As questões de demanda que impactam na formação do preço em Chicago são positivas e devem continuar assim”, destaca Vlamir Brandalizze, consultor independente de mercado, acrescentando que a demanda brasileira também está forte, mas ainda não aparece nos números oficiais do USDA.
“O USDA está estimando consumo interno de milho no Brasil em 96,5 milhões de toneladas, mas já é consenso que esse número deverá passar de 110 milhões. Esse dado vai aparecer lá na frente, e obrigar a corrigir para baixo a previsão de estoques globais, por isso vejo o milho com mais força para subir”, afirma o consultor.
Em dezembro, o departamento americano estimou estoques finais no mundo em 279,15 milhões de toneladas.
Soja
Com poucas mudanças no quadro de oferta e demanda da soja, as cotações permaneceram lateralizadas em Chicago. Os lotes com entrega para janeiro fecharam em baixa de 0,59%, a US$ 10,8725 o bushel.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos não trouxe mudanças significativas para a safra de soja, especialmente nos EUA, onde foram mantidas as previsões de colheita, exportação e estoques.
“O mercado já não esperava grandes novidades para a safra americana, que está praticamente definida. Acredito que, no futuro, podemos ter ajustes para os números de importação da safra 2024/25 na China. Com o shutdown nos EUA, algumas atualizações podem ter sido prejudicadas”, afirma Vlamir Brandalizze.
Para ele, a soja deve permanecer em uma tendência de baixa em Chicago, especialmente após as contratos voltarem a ficar abaixo dos US$ 11 o bushel.
“É preciso acontecer uma notícia muito importante para voltar acima dos US$ 11, ou uma grande compra da China, ou algo no cenário geopolítico, ou ainda problemas com a safra na América do Sul”, observa o analista.
Trigo
O trigo fechou a sessão na bolsa de Chicago com preços em queda, com a manutenção do quadro de ampla oferta do cereal. Os lotes para março tiveram baixa de 0,05%, a US$ 5,3450 o bushel.
As cotações ganharam fôlego no campo negativo após o USDA projetar aumento na oferta mundial de trigo em 2025/26. Neste mês, o departamento elevou a previsão de safra nas principais áreas produtoras de trigo do mundo, como Rússia, Argentina, Canadá e União Europeia.
Além disso, os estoques finais globais para 2025/26 foram elevados para 274,9 milhões de toneladas, 3,4 milhões acima da última projeção, feita em novembro, em razão do aumento nos principais países exportadores.

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