Operação prende 23 suspeitos de produção e venda ilegal de agrotóxicos

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo e a Polícia Militar paulista deflagraram nesta semana a “Operação Pesticida” contra uma organização criminosa responsável pela falsificação, adulteração e comercialização ilegal de agrotóxicos no país. Ao todo, 23 suspeitos foram presos nos Estados de São Paulo e do Espírito Santo e cinco laboratórios clandestinos desmantelados.

Também foram recolhidos galões, itens, rótulos e utensílios utilizados na prática de falsificação dos insumos agrícolas. Outras equipes da Polícia Militar Ambiental localizaram mais um laboratório e uma gráfica utilizada na produção de etiquetas falsificadas, prenderam mais 14 pessoas e apreenderam armas de fogo e simulacros.

A ação cumpriu 25 mandados de prisão temporária e 90 de busca e apreensão para desarticular células especializadas na atividade ilegal. A operação mobilizou 250 policiais militares, com apoio de 65 viaturas, dezenas de promotores de Justiça e servidores do MPSP. A investigação começou em 2023.

A CropLife Brasil, entidade que representa empresas de defensivos químicos, sementes, biotecnologia e bioinsumos, informou, em nota, que está apoiando as autoridades na destinação ambientalmente correta dos produtos apreendidos. Ainda está em fase de quantificação e identificação dos produtos e de avaliação dos prejuízos estimados. Oitivas e interrogatórios dos envolvidos seguem em andamento.

A Operação Pesticida investiga crimes como organização criminosa, falsidade ideológica em documento público, lavagem e ocultação de bens e valores, além de falsificação, adulteração e comercialização de agrotóxicos. A ação revelou atuação regional e ramificações interestaduais por parte dos alvos, estruturadas em núcleos especializados. Os trabalhos de campo foram executados em cidades como Franca e Ribeirão Preto, além de municípios de Minas Gerais, como foco em lideranças de relevância, endereços e produtos. Contudo, um dos alvos foi preso no Espírito Santo.

“De uma maneira geral, [a operação], foi muito produtiva e efetiva porque dentro dos imóveis, durante as buscas, foram localizados e desmantelados cinco laboratórios clandestinos, sendo um desses locais uma gráfica que alimentava o esquema produtivo ilícito”, disse, em nota, o promotor de Justiça do Gaeco de Franca (SP), Adriano Melega, responsável pela operação.

“Ressalto o impacto dessa operação, seja pela questão da identificação e da prisão de pessoas de destaque, como também pela localização e desmantelamento de locais que eram utilizados na fabricação clandestina em larga escala. Isso estava causando grande prejuízo, não só à comunidade local e regional, como também para todo o Brasil em virtude da remessa de produtos falsos”, completou.

“A indústria apoia a iniciativa das autoridades de Estado de investigar, ou mesmo fiscalizar preventivamente, todas as ações desenvolvidas no mercado ilícito de insumos agrícolas, especialmente aquelas de agrotóxicos ilegais e de sementes piratas. Esses produtos têm um impacto no meio-ambiente, na economia e no mercado lícito, gerando concorrente desleal e prejuízos para os produtores rurais”, afirmou o gerente do Comitê de Combate a Produtos Ilegais da Croplife Brasil, Nilto Mendes, sobre o resultado.

Segundo a entidade, nos últimos quatro anos, mais de 1,4 mil toneladas de agrotóxicos ilegais foram incineradas com apoio da indústria. Em 2025, o balanço parcial já atinge mais de 220 toneladas destinadas.

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