Recuperação do açúcar ocorre apesar de maior oferta

Novembro marcou uma recuperação dos preços do açúcar no mercado internacional, após um período de forte pessimismo entre os agentes. De acordo com o Itau BBA, a alta não esteve associada a fundamentos de oferta e demanda, mas sim à redução do mau humor que predominou durante a Sugar Week realizada no Brasil. Mesmo com notícias positivas sobre a produção global, que normalmente pressionariam as cotações para baixo, o mercado reagiu com ajustes técnicos e melhora no sentimento dos investidores.

Na bolsa de Nova York, os preços do açúcar avançaram 5,4% em novembro, encerrando o mês a 15,21 centavos de dólar por libra-peso. Nos primeiros dias de dezembro, porém, as cotações recuaram para abaixo de 15 centavos, influenciadas por informações favoráveis sobre a produção indiana no início da safra, antes de retornarem ao patamar observado no começo do mês.

No Centro-Sul do Brasil, a safra 2025/26 tem mostrado maior resiliência do que o esperado. Até 15 de novembro, foram processadas 576 milhões de toneladas de cana, queda de 1,3% em relação ao mesmo período da safra anterior. A produção de açúcar, no entanto, alcançou 39,2 milhões de toneladas, alta de 2,1% na comparação anual. A melhora nos indicadores de produtividade agrícola e na concentração de açúcar a partir da metade da colheita levou à revisão das estimativas, com projeção de 605 milhões de toneladas de cana e 40,4 milhões de toneladas de açúcar.

No cenário internacional, a colheita de beterraba na Rússia está praticamente encerrada, com aumento anual próximo de 6%. A Índia iniciou a safra com produção 43% superior nos dois primeiros meses, enquanto Tailândia e México apresentam atraso no ritmo de moagem, embora mantenham expectativas de recuperação ao longo do ciclo. Com a revisão das estimativas, o superávit global de açúcar para a safra 2025/26 foi elevado para 2,7 milhões de toneladas, reforçando a dependência do mercado em relação ao desempenho do etanol no Brasil.
 



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