Cabeça de cachorro, presunto de R$ 2 mil e mais: os itens bizarros apreendidos no Brasil em 2025

Ao viajar para o exterior, é comum que os brasileiros queiram trazer itens típicos dos países visitados, como alimentos e bebidas. No entanto, a prática exige atenção às regras sanitárias estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para evitar riscos à saúde e apreensões da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro).

Em 2025, o órgão responsável por controlar a entrada e a saída de produtos agropecuários encontrou mercadorias de origem vegetal e animal bem inusitadas em meio a malas cheias de roupas. A lista é extensa e inclui ovos, caranguejos, ácaros, partes de animais e até besouro em favo de mel.

Em uma fiscalização recente, uma peça do presunto tipo pata negra, que pode custar mais de R$ 2 mil, bacalhau, embutidos, frutas frescas, mel e castanhas foram recolhidos no Porto de Santos, em São Paulo, durante o desembarque de passageiros de um navio vindo da Itália, mas que passou pela Espanha, país que confirmou casos de peste suína africana (PSA) após 30 anos sem registros.

“A PSA é altamente contagiosa e afeta suínos domésticos e selvagens. A doença não representa risco à saúde humana, mas pode causar graves perdas econômicas para a indústria suína. O Brasil é um dos principais exportadores de carne suína do mundo, e a defesa agropecuária está atenta para não permitir que a doença se instale por aqui”, destaca o Mapa.

No mesmo navio, fiscais da Vigiagro também encontraram estacas, um bulbo e uma muda de planta trazidos por uma passageira da Europa. Assim como os alimentos, esses itens têm a entrada proibida pela legislação sanitária vigente. A seguir, a Globo Rural lista outros produtos bizarros apreendidos no país. Confira:

1 – Caranguejos

Cerca de 240 caranguejos distribuídos em 12 caixas foram apreendidos pela Vigilância Agropecuária Internacional no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Os animais estavam na bagagem de uma passageira que desembarcou de um voo procedente da China.

2 – Ácaro quarentenário

Durante a inspeção de uma carga com mais de uma tonelada de cerejas frescas do Chile no Aeroporto Internacional de Guarulhos, fiscais da Vigiagro identificaram a presença do Brevipalpus chilensis, conhecido como falso ácaro-vermelho chileno, em amostras da fruta.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a praga ataca cerca de 40 plantas hospedeiras, incluindo espécies frutíferas, ornamentais e florestais, como uva, limão, laranja, kiwi, cherimoia, figo e caqui.

Como medida preventiva para reduzir o risco de introdução e disseminação da praga no país, as cerejas foram fumigadas e, posteriormente, destruídas.

3 – Animais empalhados

Mais de 130 animais inteiros empalhados, além de partes de outros, foram apreendidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos trazidos por um passageiro da Nigéria. Entre os itens estavam 53 ratos, 20 passeriformes, 19 cobras, 12 morcegos, nove cabeças de gavião, seis cabeças de bagre, seis cabeças de papagaio, quatro cabeças de primata e três cabeças de canídeos.

A carga, que poderia transportar vírus e patógenos perigosos, como raiva, gripe aviária e ebola, foi destruída.

4 – Peixes ornamentais

Um passageiro da Holanda tentou entrar no Brasil com oito peixes ornamentais da espécie kinguio, popularmente usados em aquários, sem a documentação obrigatória de importação.

O Ministério da Agricultura e Pecuária alerta que esses animais podem introduzir doenças altamente contagiosas e capazes de causar prejuízos econômicos à aquicultura, como koi herpes vírus e viremia da primavera.

5 – Patas de animais

Três patas de animais com cascos fendidos, possivelmente de caprinos, foram encontradas dentro de uma mala no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após a chegada de um voo da África.

Conforme a fiscalização, o material pode introduzir o vírus da febre aftosa e outras doenças perigosas na pecuária, motivo pelo qual foi apreendido e destinado à destruição.

6 – Bonsais

Seis bonsais do Japão foram apreendidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, sem o certificado fitossanitário exigido pelo governo brasileiro. Durante a fiscalização da Vigiagro, também foi constatada a presença de organismos vivos (aranhas) nos galhos.

7 – Besouro

Um besouro da espécie Cryptophagus scanicus, com potencial de infestação na apicultura, foi identificado no favo de mel trazido por um passageiro da Bielorrússia. O material apreendido no Aeroporto Internacional de Guarulhos também continha larvas e estava acompanhado de pacotes de sementes e embutidos.

8 – Ovos

Uma encomenda com seis ovos da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, foi interceptada no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro por estar sem autorização e certificação zoossanitária internacional. O material foi enviado ao país de origem para evitar o risco de introdução de doenças no Brasil, como a gripe aviária.

Segundo a Vigiagro, ovos podem estar contaminados pelo vírus tanto na casca quanto no interior quando são provenientes de aves infectadas.

“Apesar de o consumo de ovos cozidos ser considerado seguro, a finalidade da remessa interceptada era desconhecida. Se destinados à reprodução, pintos oriundos de ovos contaminados poderiam introduzir e disseminar o vírus”, reforça.

9 – Camaleões e cabeça de cachorro

Uma inspeção em janeiro de 2025 identificou diversos animais inteiros e partes de outros dentro de uma bagagem procedente da Nigéria no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

Entre os itens apreendidos estavam camaleões, ratos empalhados, morcegos, larvas, cabeças de cobra, bagres secos e uma cabeça decapitada de cachorro. Todo o material foi incinerado.

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