O Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) recebeu nesta sexta-feira (5) uma delegação de produtores rurais argentinos interessada em conhecer o modelo produtivo de Mato Grosso, estado que se consolidou como uma das principais fronteiras agrícolas do mundo e referência em produção de grãos, fibras, carnes e bioenergia.
A visita reuniu integrantes dos grupos CREA Pico-Baron e CREA Quemu-Catrilo, formados por produtores das regiões de La Pampa e Buenos Aires, na Argentina. Durante a agenda na sede da Famato, em Cuiabá, o grupo acompanhou uma apresentação sobre indicadores do agronegócio mato-grossense, com dados sobre produção, produtividade, tecnologia, uso da terra, sustentabilidade, logística, agroindustrialização e perspectivas para as cadeias produtivas.
Durante a visita, foi destacada a evolução da agropecuária mato-grossense e o papel do estado no abastecimento nacional e internacional. A exposição também mostrou como a organização produtiva, o uso de tecnologia e a capacidade de gestão transformaram Mato Grosso em uma referência acompanhada por outros países produtores.

Segundo Cleiton Gauer, superintendente da Famato e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a visita reforça a relevância do estado no cenário internacional do agronegócio.
“Mato Grosso tem uma combinação muito particular de escala produtiva, tecnologia, gestão e capacidade de inovação. Apresentar esses dados a produtores de outros países ajuda a mostrar como o estado se tornou estratégico para a segurança alimentar e energética”, afirmou Gauer.
De acordo com o superintendente, o interesse da delegação argentina também demonstra que o desempenho do agro mato-grossense é acompanhado de perto por produtores, empresas e instituições de outros países.
“A visita dos produtores argentinos reforça a importância de Mato Grosso no debate global sobre produção de alimentos, fibras e bioenergia. O interesse deles mostra que o agro mato-grossense é acompanhado de perto por mercados concorrentes e parceiros. Nosso objetivo foi apresentar uma visão técnica do setor, com dados sobre produção, produtividade, sustentabilidade e oportunidades. O Sistema Famato trabalha para transformar informação em estratégia para o produtor rural”, disse.
Durante a visita, a delegação também conheceu o trabalho desenvolvido pelo AgriHub, hub de inovação do Sistema Famato e um dos pioneiros do agronegócio brasileiro. A iniciativa atua na conexão entre produtores rurais, startups, instituições de pesquisa e empresas de tecnologia, promovendo a adoção de soluções voltadas a desafios reais do campo.

Os produtores argentinos acompanharam uma apresentação da startup Gado Certo, empresa de base tecnológica criada em Mato Grosso e especializada na intermediação digital de compra e venda de bovinos. A plataforma utiliza ferramentas tecnológicas para ampliar a segurança, a transparência e a eficiência das negociações pecuárias, conectando compradores e vendedores e oferecendo inteligência de mercado aos produtores.
Além da passagem pela sede da Famato, a delegação percorreu municípios como Sinop e Lucas do Rio Verde, onde observou diferentes etapas do sistema produtivo estadual. A agenda permitiu aos visitantes conhecer, na prática, a escala, a tecnologia e a organização que sustentam o crescimento do agro mato-grossense.
Para o produtor rural argentino Juan Ingouville, integrante da delegação, a velocidade de expansão do setor em Mato Grosso foi um dos pontos que mais chamaram a atenção.
“Vemos um crescimento poucas vezes visto. Para onde quer que se olhe, há crescimento, tanto em usinas de etanol, como na agricultura, em safra dupla, em safra tripla e em tecnologia”, afirmou.
Segundo ele, a expansão da produção em Mato Grosso passou a influenciar diretamente a leitura de mercado feita por produtores argentinos. Ingouville destacou que o Brasil, especialmente Mato Grosso, tornou-se uma referência central nas decisões ligadas à oferta e demanda global de grãos.
“O que estão fazendo é impressionante e estão revolucionando a produção mundial de grãos. Para nós, que somos concorrentes na Argentina, isso assusta um pouco, porque vocês passaram a ser um ator global que movimenta o preço dos grãos”, disse.
O produtor afirmou ainda que, para o setor agrícola argentino, o acompanhamento do mercado brasileiro ganhou importância crescente.“Já quase não olhamos mais para os Estados Unidos, mas sim muito para o que acontece com o Brasil e com a China em termos de oferta e demanda”, acrescentou.
A visita também permitiu uma troca sobre as diferenças entre os modelos produtivos dos dois países. Ingouville explicou que a Argentina tem características distintas das observadas em Mato Grosso, tanto do ponto de vista climático quanto da estrutura fundiária e operacional. Segundo ele, enquanto o sistema mato-grossense se destaca pela possibilidade de múltiplas safras e pela escala de produção tropical, a agricultura argentina é predominantemente temperada, com janelas de plantio mais restritas.

O produtor também destacou que, na Argentina, é comum que grande parte da produção ocorra em áreas arrendadas e com forte participação de empresas prestadoras de serviços agrícolas.
“A Argentina tem um modelo muito diferente do brasileiro. É muito comum que 75% do negócio agrícola esteja em terras arrendadas. Os donos da terra, muitas vezes, não são os mesmos que produzem nem os donos do maquinário”, explicou.
Ingouville produz grãos em cerca de 9 mil hectares e também atua como prestador de serviços, com colheitadeiras, caminhões e plantadeiras. Segundo ele, esse modelo favoreceu, nas últimas décadas, o crescimento dos chamados pools de plantio, empresas ou grupos que arrendam áreas, contratam serviços, assumem o risco financeiro da produção e comercializam os grãos.









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