A necessidade de ampliar a eficiência no combate aos javalis e javaporcos no Brasil foi defendida pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) durante a Conferência Nacional de Defesa Agropecuária (CNDA), nesta quinta-feira (18). O tema foi apresentado pelo coordenador da Comissão de Meio Ambiente da entidade e presidente do Sindicato Rural de Cláudia, Zilto Donadello, que destacou os impactos da espécie invasora sobre a produção agropecuária e o meio ambiente.
Ao abordar os desafios do combate do javali no campo, o produtor ressaltou que a realidade da atividade vai muito além da legislação vigente. Segundo ele, questões como a dificuldade de acesso às ferramentas digitais, a falta de compreensão das particularidades do meio rural e a criminalização de produtores e caçadores legalizados acabam dificultando o enfrentamento do problema.
Zilto também defendeu a modernização das normas, maior participação dos sindicatos rurais no cadastramento e acompanhamento das ações de controle, além da criação de mecanismos que permitam transformar a atividade em uma prática regulamentada, segura e economicamente viável. Para ele, simplificar os processos, ampliar a segurança jurídica e incentivar a participação de proprietários rurais e caçadores regularizados pode tornar o combate aos javalis mais eficiente e contribuir para a coleta de dados e o monitoramento da espécie.
“Precisamos evoluir a legislação e facilitar a participação de quem está no campo. Quando o produtor, o proprietário da área e os caçadores legalizados fazem parte do processo, com regras claras e segurança jurídica, o controle do javali se torna mais eficiente, organizado e fácil de cumprir”, afirmou.

O manejo do javali é permitido no Brasil por se tratar de uma espécie exótica invasora. No entanto, a atividade exige cadastro e autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além do cumprimento de uma série de exigências legais e de monitoramento. Produtores rurais defendem a simplificação desses procedimentos, argumentando que a burocracia e a insegurança jurídica dificultam o controle efetivo da espécie no campo.
Durante a apresentação, Eloisio Nunes, agente ambiental federal do Ibama em Mato Grosso, explicou que a presença de javalis no Brasil está relacionada à introdução da espécie no país e à fuga de animais de criadouros quando sua criação ainda era permitida.
Segundo ele, falhas no controle desses empreendimentos e episódios como enchentes contribuíram para a dispersão dos animais, que hoje representam um desafio para o meio ambiente e para a agropecuária. O palestrante também detalhou a legislação que regulamenta o manejo da espécie, considerada exótica invasora e nociva, cujo controle é autorizado em todo o território nacional mediante cadastro e autorização dos órgãos competentes.
“Grande parte do problema teve origem quando a criação de javalis era permitida no país. Com fugas de animais de criadouros e a falta de controle efetivo em alguns casos, a espécie acabou se espalhando pelo território brasileiro, tornando-se uma das principais espécies invasoras com impactos sobre o meio ambiente e a produção agropecuária”, explicou.
Durante o painel, o presidente do Sindicato dos Fiscais Estaduais de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Sinfa-MT), Valney Souza Corrêa, apresentou como o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) atua no monitoramento e enfrentamento das espécies invasoras no estado, destacando a importância do trabalho de orientação, vigilância e acompanhamento realizado pela defesa agropecuária.
As palestras integraram a programação das discussões sobre Espécies Exóticas Invasoras, espaço dedicado aos impactos da fauna invasora sobre a agropecuária e o meio ambiente. O debate reuniu especialistas de diferentes instituições, incluindo representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT), do Ibama e do Sinfa-MT, que abordaram aspectos relacionados aos impactos das espécies invasoras, à legislação ambiental e aos procedimentos de manejo e controle desses animais.
Durante sua apresentação, a analista de Meio Ambiente da Sema-MT, Danny Moraes, apresentou um panorama da legislação ambiental brasileira e sua evolução. Em sua exposição, também destacou dados sobre a biodiversidade do país. Segundo a analista, o Brasil concentra cerca de 120 mil espécies de fauna, abrigando aproximadamente 20% das espécies conhecidas no mundo, o que o torna o país com a maior biodiversidade do planeta. Além disso, possui mais de 1.800 espécies endêmicas de vertebrados e a maior diversidade de aves do mundo, com mais de 1.900 espécies registradas.

Após as apresentações, os participantes tiveram a oportunidade de esclarecer dúvidas e aprofundar os temas debatidos em uma mesa de discussão moderada por Aruaque Lotufo F. de Oliveira, presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária e Zootecnia do Estado de Mato Grosso (CRMV-MT) promovendo a troca de experiências entre palestrantes, produtores rurais, técnicos e representantes de instituições ligadas ao setor.
Consolidada como um dos principais fóruns de discussão sobre defesa agropecuária no Brasil, a 9ª Conferência Nacional de Defesa Agropecuária (CNDA) ocorre entre os dias 16 e 18 de junho, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá. Com o tema “Agricultura Tropical: inovação sustentável que alimenta o mundo”, a programação reúne representantes de instituições públicas, entidades do setor produtivo, pesquisadores e especialistas para debater temas ligados à sanidade animal e vegetal, sustentabilidade, bioinsumos, segurança alimentar, inovação, regulamentação e defesa agropecuária.

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