Sistema Famato | AgriHub lança 2º relatório do Perfil de Inovação do Produtor Rural e aponta a digitalização como principal desafio do agro

O AgriHub lançou, nesta quinta-feira (25), a segunda edição do Relatório de Perfil de Inovação do Produtor Rural de Mato Grosso. O estudo traça o perfil de inovação dos produtores e apresenta um panorama atualizado sobre o nível de maturidade tecnológica no campo. O novo levantamento revela que, embora quase metade dos produtores já seja considerada inovadora, a digitalização ainda representa o principal desafio para o avanço da inovação no estado.

Realizado pelo AgriHub em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), o estudo analisou mais de 82 mil pontos de dados, coletados junto a 1.403 produtores rurais de 75 municípios.

De acordo com Érika Segóvia, gerente do AgriHub, o relatório utiliza uma metodologia baseada em três pilares: Digitalização, que avalia conectividade e uso de ferramentas de gestão; Adoção de Tecnologias, relacionada à disposição para testar novas soluções; e Influência, que mede o engajamento dos produtores em sindicatos, cooperativas e redes de relacionamento.

Os resultados mostram que Mato Grosso possui 45% dos produtores classificados como inovadores ou altamente inovadores. Entretanto, o Índice de Digitalização alcançou apenas 28 pontos, abaixo dos indicadores de Influência (41) e Adoção de Tecnologias (40), evidenciando que o acesso à conectividade e às ferramentas digitais ainda limita o avanço tecnológico nas propriedades rurais.

Para a gerente do AgriHub, o levantamento reforça que a inovação vai além da adoção de novas tecnologias e depende da compreensão do perfil de cada produtor rural.

“A segunda edição do relatório amplia nossa capacidade de entender como a inovação acontece no campo. Durante muito tempo acreditou-se que o principal desafio da inovação era convencer o produtor rural a adotar novas tecnologias. Os dados mostram justamente o contrário. O produtor reconhece o valor da inovação. O nosso desafio agora é criar as condições para que ela aconteça de forma mais rápida, segura e acessível. Isso permite desenvolver ações mais assertivas para conectar as soluções às necessidades reais do campo”, destaca.

Os cinco perfis de inovação

O estudo classifica os produtores rurais em cinco personas, conforme o nível de maturidade tecnológica.

O maior grupo é formado pelos Conservadores, que representam 39,4% dos entrevistados. São produtores que reconhecem os benefícios da inovação, mas preferem adotar tecnologias já consolidadas e com resultados comprovados.

Na sequência aparecem os Pragmáticos, com 31% da amostra. Esse perfil prioriza soluções que tragam ganhos diretos de produtividade e redução de custos, adotando tecnologias com foco em eficiência operacional.

Os Céticos representam 18,1% dos produtores e ainda apresentam maior resistência à inovação, principalmente devido às limitações de infraestrutura e conectividade. Já os Visionários correspondem a 9,1% do total e costumam antecipar tendências, testar novas soluções e atuar como influenciadores regionais.

Na ponta mais avançada estão os Entusiastas, que representam 2,4% da amostra. São produtores altamente digitalizados, que utilizam ferramentas avançadas, participam do desenvolvimento de novas tecnologias e transformam suas propriedades em ambientes de experimentação.

O perfil do produtor nas regiões

O levantamento também evidencia que a inovação ocorre de forma heterogênea em Mato Grosso. Enquanto algumas regiões concentram produtores mais propensos à experimentação e adoção de novas tecnologias, outras ainda enfrentam desafios relacionados principalmente à infraestrutura digital, conectividade e acesso ao ecossistema de inovação.

Segundo Érika, a Região III foi identificada como a mais inovadora do estado, reunindo forte presença de produtores classificados como Visionários e Entusiastas, geralmente ligados a grandes propriedades e maior nível de escolaridade.

O relatório também indica que as regiões V e IX se destacam, ambas com elevada participação de produtores de perfil inovador. Na outra ponta, a Região I apresentou predominância de produtores classificados como Céticos, reflexo principalmente das limitações de infraestrutura digital e conectividade. Já a Região VI concentra maior número de produtores Conservadores, além de possuir predominância de pequenas propriedades.

Entre os municípios com maiores índices de inovação estão Primavera do Leste, Guiratinga, Bom Jesus do Araguaia e Sorriso.

“A pesquisa também nos revelou o perfil dos participantes: 59% possuem propriedades com menos de 50 hectares, metade atua na pecuária, 34% na agricultura e 16% desenvolvem atividades integradas de agropecuária. Outro destaque é que cerca de um terço dos entrevistados são mulheres produtoras rurais”, diz a gerente do AgriHub.

Para Érika, o estudo busca orientar os próximos passos da transformação digital no agro mato-grossense, oferecendo subsídios para políticas públicas, programas de capacitação e o desenvolvimento de soluções tecnológicas mais aderentes às necessidades dos produtores, além de mapear o cenário atual da inovação rural,

A segunda edição do Relatório de Perfil de Inovação do Produtor  Rural já está disponível para consulta através do link: https://materiais.agrihub.org.br/relatorio-perfil-de-inovacao-do-produtor-rural-de-mato-grosso-2-edicao?utm_source=imprensa

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