Pequeno aparelho doméstico que jogamos fora pode conter ouro de 22 quilates

O ouro em eletrônicos virou assunto porque aparelhos esquecidos em casa podem guardar metais valiosos em placas e conectores. O detalhe é que esse ouro não aparece como uma peça pronta: ele surge em camadas finas e só pode ser recuperado por reciclagem especializada.

Qual aparelho doméstico pode conter ouro de 22 quilates?

O exemplo mais citado envolve placas-mãe de computadores antigos, mas a lógica se estende a eletrônicos domésticos com circuitos, como roteadores, modems, celulares antigos e equipamentos de comunicação. O valor está nos contatos, pinos, conectores e pequenas partes metálicas internas.

Em vez de imaginar uma pepita escondida dentro do aparelho, o correto é pensar em resíduo eletrônico. O ouro aparece em quantidades muito pequenas por unidade, mas pode se tornar relevante quando muitos equipamentos são processados juntos.

Este pequeno aparelho doméstico que jogamos fora e que contém ouro de 22 quilates // Créditos: depositphotos.com / AntonMatyukha
Este pequeno aparelho doméstico que jogamos fora e que contém ouro de 22 quilates // Créditos: depositphotos.com / AntonMatyukha

Por que fabricantes usam ouro em placas e conectores?

O ouro é usado porque conduz eletricidade com alta estabilidade e resiste bem à corrosão. Em conexões sensíveis, essa resistência ajuda a manter desempenho por mais tempo, especialmente em componentes que precisam transmitir sinal sem falhas.

Por isso, equipamentos antigos podem ter partes banhadas a ouro, principalmente em conectores e contatos. O material ajuda a proteger regiões críticas do circuito, mas a camada costuma ser fina demais para ter valor prático fora da reciclagem em escala.

Os pontos mais comuns de valor estão abaixo:

Placas-mãe de computadores e aparelhos de comunicação antigos

Conectores, pinos e contatos dourados em circuitos internos

Celulares, modems e roteadores fora de uso há muitos anos

Equipamentos descartados com metais ainda recuperáveis

O que a pesquisa conseguiu recuperar do lixo eletrônico?

Pesquisadores da ETH Zurich recuperaram ouro de placas-mãe antigas usando uma esponja feita a partir de proteínas do soro de leite. No experimento, 20 placas-mãe renderam uma pepita de 450 miligramas.

A pepita tinha 91% de ouro, proporção equivalente a 22 quilates. O resultado chamou atenção porque combinou lixo eletrônico com subproduto da indústria de alimentos, criando um método de recuperação mais sustentável que rotas tradicionais com reagentes agressivos.

Os números ajudam a colocar a história em perspectiva:

Dado
Leitura
Cuidado

20 placas-mãe
Base do experimento suíço

A recuperação depende de volume e processamento técnico

não desmontar em casa

450 miligramas
Pepita obtida no laboratório

O peso mostra valor real, mas pequeno por equipamento individual

pensar em escala

22 quilates
Pureza do ouro recuperado

A qualidade veio após separação química e fusão controlada

reciclar corretamente

Dá para ganhar dinheiro desmontando aparelhos em casa?

Para o consumidor comum, não. A quantidade de ouro em um aparelho isolado é pequena, e a recuperação exige etapas químicas, controle técnico e segurança ambiental. Desmontar eletrônicos por conta própria pode expor a metais, poeira e resíduos perigosos.

O caminho correto é encaminhar o item para coleta de lixo eletrônico, assistência autorizada, ecoponto ou empresa especializada. Assim, metais valiosos podem voltar à cadeia produtiva sem transformar a casa em uma área improvisada de desmontagem.

Leia também: Motorista apresentou CNH digital na blitz e acabou precisando da física antes de ser liberado

Por que não jogar esse aparelho no lixo comum?

O descarte comum desperdiça metais e aumenta risco ambiental. O Global E-waste Monitor aponta que o mundo gerou 62 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2022, enquanto apenas 22,3% foi coletado e reciclado formalmente.

Guardar aparelhos quebrados por anos também não resolve o problema. O melhor é separar, apagar dados quando houver memória interna e enviar para reciclagem adequada, porque a pequena “mina” doméstica só ganha sentido quando vira recuperação segura e coletiva.



Fonte


Publicado

em

por

Tags:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *