Ex-presidente do BC brasileiro entra em força-tarefa do Fed

O economista brasileiro Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, foi convocado para copresidir um dos cinco grupos de trabalho criados pelo Federal Reserve para revisar sua atuação. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 9, pelo presidente da autoridade monetária americana, Kevin Warsh, que assumiu o cargo em maio.

A equipe liderada por Fraga ficará responsável por reavaliar a estratégia de comunicação do Fed, um dos pilares da atuação do banco central junto a mercados e ao público.

Trajetória pesa na escolha

O reconhecimento pela defesa da autonomia do BC à época de sua gestão foi um dos motivos que credenciaram Fraga a integrar o grupo relativo à comunicação, ao lado do ex-presidente do Banco da Inglaterra Mervyn King, que comandou o banco central britânico durante a crise financeira de 2008 e 2009.

Ao todo, cinco frentes foram montadas por Warsh para examinar setores considerados centrais da formulação de políticas do Fed: além da comunicação, os grupos vão tratar do balanço patrimonial de US$ 6,7 trilhões da instituição, da dependência de fontes de dados já existentes e das estruturas usadas para analisar produtividade, mercado de trabalho e inflação.

Diagnóstico deve sair até dezembro

Integram ainda as equipes nomes como Raghuram Rajan, ex-presidente do Reserve Bank of India, que também assumirá a copresidência de um dos grupos; Karen Dynan, professora em Harvard e ex-integrante do Tesouro americano no governo Barack Obama; e Doug McMillon, ex-comandante executivo do Walmart.

Segundo o comunicado divulgado por Warsh nesta quinta-feira, cada equipe terá a tarefa de examinar se os instrumentos, métodos analíticos e abordagens hoje adotados pelos dirigentes do Fed comportam aperfeiçoamentos. “Cada grupo de trabalho vai avaliar cuidadosamente se os meios e métodos usados pelos dirigentes, suas ferramentas analíticas e suas abordagens podem ser aprimorados”, disse o presidente da instituição.

Warsh chegou ao comando do Fed em maio defendendo uma reformulação ampla na condução da política monetária, à qual se referiu como uma mudança de regime.

As conclusões dos devem ser entregues até o fim de 2026, com apoio técnico do próprio quadro de funcionários do banco central americano.

Em declaração sobre o conjunto de nomes recrutados, Warsh classificou os integrantes como “as melhores mentes de diversas áreas”.



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