Entre o consultório odontológico e a fazenda, Luiz Gustavo Bernacchi divide a rotina entre duas profissões que fazem parte da sua história. Dentista e pecuarista, ele encontrou no campo uma oportunidade de ampliar o legado da família e contribuir para o desenvolvimento de Mato Grosso. No Dia do Pecuarista, celebrado em 15 de julho, sua trajetória representa milhares de produtores rurais que enfrentam diariamente o desafio de produzir alimentos, gerar empregos e impulsionar a economia do estado. Mais do que criar animais, a pecuária exige planejamento, tecnologia, gestão, responsabilidade ambiental e dedicação constante.
Em Mato Grosso, maior rebanho bovino do Brasil, a pecuária desempenha papel estratégico na economia, movimentando a produção, gerando renda e fortalecendo milhares de famílias no campo. Para que a atividade continue competitiva e sustentável, produtores contam com o apoio de iniciativas voltadas à inovação, capacitação e gestão das propriedades.
É nesse contexto que o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato), por meio da Comissão de Pecuária e da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), atua para fortalecer o setor, levando orientação técnica, planejamento e acompanhamento contínuo aos pecuaristas.
A história do pecuarista Luiz Gustavo Bernacchi, presidente do Sindicato Rural de Vila Rica, representa a realidade de muitos produtores que construíram seu patrimônio passo a passo. Há 27 anos em Mato Grosso, Gustavo chegou ao estado para exercer outra profissão.
“Sou cirurgião-dentista e vim para Mato Grosso para trabalhar na odontologia. Nunca imaginei que seria pecuarista. Comecei comprando uma ou duas cabeças de gado, alugando pasto. Aos poucos fui formando meu rebanho, vendendo, comprando terra e crescendo. A pecuária tem essa característica: você consegue construir seu patrimônio de forma gradual, com muito trabalho”.

Hoje, ele afirma que a atividade transformou completamente a vida de sua família.
“Foi por meio da pecuária que construímos nosso patrimônio, criamos oportunidades para as novas gerações e aprendemos valores como responsabilidade, perseverança e dedicação. Tenho orgulho de saber que todos os dias contribuímos para colocar alimento na mesa de milhões de pessoas.”
Segundo Gustavo, os desafios aumentaram nos últimos anos. “Hoje precisamos produzir mais e melhor. Enfrentamos incertezas climáticas, custos elevados, juros altos, dificuldades de acesso ao crédito e insegurança jurídica. Mesmo assim, seguimos investindo em tecnologia, genética, nutrição e gestão para tornar a atividade cada vez mais eficiente”.
Ele também destaca que a pecuária moderna evoluiu significativamente.
“Trabalhamos com melhoramento genético, inseminação artificial, transferência de embriões, manejo nutricional e gestão da propriedade. A pecuária deixou de ser apenas criação de gado e passou a ser uma atividade altamente técnica”.
Há cerca de oito meses, Gustavo também recebe o acompanhamento da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar Mato Grosso.
“A assistência trouxe organização para nossa propriedade. Hoje fazemos planejamento, acompanhamos o custo de produção, temos controle dos gastos e conseguimos estimar melhor nossos resultados. Isso faz toda a diferença para a tomada de decisão.”
Além dos resultados dentro da porteira, Gustavo ressalta a importância econômica da atividade.
“Quando a pecuária cresce, toda a comunidade cresce junto. Ela gera empregos, movimenta o comércio, fortalece o transporte, a indústria, os serviços e a tecnologia. Tenho orgulho de fazer parte de uma atividade essencial para o desenvolvimento do nosso estado.”
Comissão de Pecuária atua na defesa do produtor rural
Além do apoio técnico dentro das propriedades, o Sistema Famato trabalha na representação institucional da pecuária por meio da Comissão de Pecuária, responsável por discutir políticas públicas, acompanhar legislações e defender os interesses dos produtores rurais.
O 2º vice-presidente da Famato e presidente da Comissão de Pecuária, Amarildo Merotti, destaca que o trabalho da comissão é permanente.
“A Comissão de Pecuária da Famato atua para representar o pecuarista mato-grossense nas principais discussões que impactam a atividade. Trabalhamos na construção de políticas públicas, acompanhamos mudanças na legislação, defendemos melhorias sanitárias e buscamos soluções para gargalos enfrentados pelo setor, sempre em diálogo com os órgãos competentes.”
Segundo Merotti, entre as pautas prioritárias estão o fortalecimento da defesa sanitária, a disponibilidade de insumos, como vacinas e sal mineral, além da ampliação do acesso ao crédito e de políticas que garantam segurança jurídica e competitividade para os produtores.
“Nosso compromisso é criar um ambiente cada vez mais favorável para quem produz. A pecuária é um dos pilares da economia de Mato Grosso e precisamos garantir condições para que o produtor continue investindo, gerando empregos, produzindo alimentos e mantendo o estado como referência nacional”.
O fortalecimento da pecuária também passa pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar Mato Grosso, que leva conhecimento, planejamento e acompanhamento técnico diretamente às propriedades rurais.

Somente nas cadeias da bovinocultura de corte e leite, a ATeG atende atualmente 3.803 propriedades rurais, distribuídas em 93 municípios, com atuação em 78 Sindicatos Rurais. O trabalho é desenvolvido por 235 técnicos de campo e 18 supervisores, beneficiando um rebanho estimado em 509.512 animais.
As duas atividades produtivas representam 50,05% de todas as propriedades atendidas pela ATeG no estado. Em 2026, já foram realizadas 57.508 visitas técnicas.
Na ATeG Inseminação, outro programa estratégico para o aumento da produtividade, os números também demonstram resultados expressivos. Neste ano, são 1.588 propriedades atendidas em 96 municípios, com 33.088 protocolos de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) realizados e 54.601 diagnósticos de gestação, alcançando taxa média de prenhez de 44,47%. Atualmente, está em andamento a Etapa 2 da Safra Leite 2025/2026.
O gerente da ATeG do Senar MT, Bruno Farias, destaca que o trabalho vai muito além da orientação técnica.
“A ATeG trabalha para tornar a propriedade rural mais eficiente, sustentável e rentável. Nosso acompanhamento é contínuo e une gestão, planejamento, indicadores econômicos, tecnologia e assistência técnica personalizada. O objetivo é que o produtor tenha informações para tomar decisões mais assertivas e melhorar seus resultados”.
Bruno ressalta que programas como a ATeG Inseminação aceleram os ganhos dentro das propriedades.
“A melhoria genética, associada ao manejo adequado e à gestão da atividade, permite aumentar a produtividade, reduzir custos e produzir mais com qualidade. Esse é o caminho para fortalecer a pecuária mato-grossense e garantir competitividade ao produtor”.


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