Brasil lidera compras de carros chineses no mundo

O Brasil se tornou, entre janeiro e maio de 2026, o principal comprador mundial de automóveis fabricados na China, com desembolso de US$ 5,2 bilhões, dos quais US$ 4,5 bilhões corresponderam a veículos eletrificados.

O salto representa mais que o dobro do valor gasto no mesmo intervalo de 2025, quando o país ocupava a sexta colocação entre os importadores. Os dados constam do Ranking das Exportações Chinesas, elaborado pela alfândega da China.

Brasil ultrapassa concorrentes tradicionais

Com a nova marca, o país deixou para trás nações que historicamente figuravam entre as principais compradoras de automóveis chineses. A Rússia, segunda colocada, adquiriu US$ 5 bilhões no período. Bélgica e Reino Unido aparecem empatados na sequência, com US$ 3,8 bilhões cada, enquanto a Austrália fecha a lista das cinco maiores com US$ 3 bilhões.

Outro levantamento, do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), relativo ao primeiro semestre completo de 2026, aponta importação de US$ 5,35 bilhões em veículos eletrificados chineses. Segundo a entidade, essas compras corresponderam a cerca de 15% de tudo o que o Brasil adquiriu da China no período.

Híbridos plug-in registram maior avanço proporcional

Entre as categorias de eletrificados, os híbridos plug-in tiveram a expansão mais expressiva: as importações somaram US$ 2,79 bilhões, dobrando o volume do ano anterior. Os elétricos puros, por sua vez, quase quadruplicaram, atingindo cerca de US$ 2 bilhões.

Na comparação com o primeiro semestre de 2025, quando ocupavam a 25ª posição na pauta de importações brasileiras, os híbridos plug-in avançaram para o sexto lugar em 2026, alta de 239% em valor.

De acordo com o CEBC, a soma das três categorias — elétricos, híbridos e híbridos plug-in — superou em duas vezes o total importado pelo Brasil vindo da França no mesmo período, de US$ 2,6 bilhões.

A entidade registra ainda que as compras dessas categorias cresceram de forma contínua, mês a mês, a partir de março.

Alta tarifária motivou antecipação de compras

A entidade explica que o desempenho reflete movimento de importadores brasileiros para antecipar embarques antes do reajuste tarifário sobre eletrificados, que passou a 35% no início de julho — ante alíquotas anteriores entre 25% e 30% para elétricos e híbridos.

O CEBC aponta também que barreiras comerciais impostas por Estados Unidos e União Europeia contra elétricos chineses levaram montadoras a redirecionar parte da produção destinada a esses mercados para o Brasil.

Com a nova alíquota já em vigor, a entidade projeta acomodação no ritmo de importações no segundo semestre, ainda que os volumes anuais possam se manter ou crescer.



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