BMW cortará 8 mil vagas na Alemanha

A montadora alemã BMW confirmou nesta quarta-feira, 29, a eliminação de cerca de 8 mil postos de trabalho em suas operações na Alemanha até o fim de 2027. A companhia sediada em Munique tem 154 mil funcionários e adotará um programa de adesão voluntária que deve atingir 5% de seu quadro global.

A iniciativa foi definida após seis semanas de negociação entre a direção da empresa e o conselho de trabalhadores, e concentra-se nas áreas administrativas e de desenvolvimento, sem afetar a produção fabril.

Foco em setores administrativos

De acordo com informações repassadas à agência AFP, cerca de 40 mil dos 85 mil funcionários com contrato permanente na Alemanha estarão aptos a receber propostas de saída a partir de outubro. A estimativa da empresa é que 20% desse contingente aceite o programa até o encerramento de 2027.

Horst Ott, representante do sindicato IG Metall e membro do conselho de supervisão da BMW, afirmou que parte da redução de pessoal deverá acontecer de forma natural, com o não preenchimento de vagas deixadas por aposentadorias e desligamentos regulares. Os benefícios previstos em convenções coletivas de trabalho continuarão garantidos aos empregados.

Mercado chinês pressiona resultados

A retração das vendas na China figura entre os principais fatores da decisão. Em junho, a BMW já havia revisado para baixo sua projeção de lucro anual, citando desempenho aquém do esperado no país asiático. As entregas de veículos por lá caíram, em 2025, ao menor patamar desde 2017, e recuaram outros 30% entre abril e junho deste ano, na comparação com igual período do ano anterior.

Segundo a DW, o presidente da BMW, Milan Nedeljkovic, disse a funcionários, em encontro nesta quarta-feira, que o setor automotivo atravessa uma transformação estrutural. Segundo participantes da reunião, o executivo mencionou as normas europeias de eletrificação da frota e o aumento de barreiras comerciais entre países como fatores que intensificam a pressão sobre a indústria.

Movimento acompanha outras montadoras

A BMW não é a única fabricante alemã a reduzir quadros. A Volkswagen estuda eliminar até 100 mil postos entre suas marcas, a Mercedes-Benz mantém programa próprio de desligamentos, e a Porsche ampliou nesta semana seu plano de reestruturação, com meta de cortar 20% da força de trabalho até 2035. Na fábrica da Audi em Neckarsulm, trabalhadores protestaram contra o risco de fechamento da unidade.

Segundo levantamento da consultoria EY, a indústria alemã eliminou 124 mil empregos no último ano, praticamente o dobro do registrado no período anterior, com o setor automotivo respondendo pela maior parte das perdas.

Os efeitos financeiros da reestruturação da BMW devem aparecer no segundo semestre de 2026, com economia de custos projetada a partir de 2028.



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