Clarita Maia na Crusoé: Ormuz

O documentário taiwanês A Odisseia do Chip, de Hsiao Chu-Chen, exibido recentemente em Brasília, não é um filme sobre indústria, mas sobre poder e sobre como ele mudou sem que a maioria das estratégias nacionais percebesse.

Foi essa a provocação de Marcos Degaut, palestrante convidado a abrir a sessão, cuja fala guiaria toda a noite: da geopolítica dos semicondutores à guerra, cada vez mais silenciosa, travada por códigos.

Para Degaut, hoje, o principal ativo estratégico da humanidade não vem da natureza, mas do conhecimento, cuja avenida de passagem é o semicondutor — minúsculo, mas sustentáculo da infraestrutura tecnológica moderna, cuja falta provocaria um “apagão civilizacional” e recessão global.

Para o palestrante, o domínio da tecnologia do chip fez com que Taiwan desenvolvesse em seu favor o chamado “Escudo de Silício“: uma forma de dissuasão estratégica baseada na centralidade global de sua indústria de semicondutores. Esse escudo opera em quatro dimensões complementares.

A primeira dimensão do chamado “Escudo de Silício” é a econômica: ao concentrar a produção dos semicondutores mais avançados do mundo, Taiwan tornou-se um parceiro indispensável para as principais empresas de tecnologia e um elo insubstituível das cadeias globais de valor.

Essa centralidade econômica projeta-se imediatamente sobre a segunda dimensão, a militar, uma vez que sistemas de defesa, plataformas de inteligência e armamentos de última geração dependem desses componentes para seu funcionamento.

Da conjugação dessas duas dimensões decorre a terceira, de natureza política. A relevância estratégica da indústria taiwanesa eleva significativamente os custos econômicos, tecnológicos e geopolíticos de uma eventual agressão à ilha, criando incentivos para que terceiros Estados contribuam para sua preservação.

Esse efeito, por sua vez, alimenta a quarta dimensão, psicológica: consolida-se a percepção de que a estabilidade de Taiwan não constitui apenas um…

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