Tecnologias desenvolvidas para solucionar problemas do agronegócio estão sendo testadas, desde o mês de maio, em propriedades rurais de Mato Grosso. A iniciativa faz parte da Validação no Campo, a 6ª fase do programa “AgriHub Conecta 2026 – Impulsionando a Inovação no Campo”. O programa aproxima startups selecionadas à produtores rurais para avaliar o desempenho e a aplicabilidade das soluções, de forma prática.
De acordo com o AgriHub, a etapa é obrigatória para as startups participantes e tem como objetivo testar produtos, serviços e plataformas em situações reais de operação. A partir desses testes, são levantadas evidências sobre o desempenho técnico e operacional das tecnologias, além da percepção dos produtores sobre a aderência das soluções à rotina das propriedades.
O trabalho é acompanhado diretamente pela rede de inovação do Sistema Federação da Agricultura de Mato Grosso (Sistema Famato). Durante a validação, um técnico de campo faz a intermediação entre a startup e o produtor, acompanha a execução dos testes e auxilia na coleta dos retornos. Antes do início da validação, as empresas também capacitam o profissional, fornecendo os acessos, materiais e informações necessárias para o acompanhamento das soluções.
Rodrigo Rejes Mendonça, técnico de campo do AgriHub, afirma que a receptividade dos produtores tem sido positiva desde o início do projeto.
“Eles demonstraram entusiasmo e satisfação por receber o projeto em suas regiões e por terem a oportunidade de participar dessa iniciativa. Muitos enxergaram nas tecnologias apresentadas soluções práticas para desafios que enfrentam diariamente em suas propriedades”, relata.
Segundo ele, um dos principais desafios foi adaptar a comunicação com as características de cada região. Em municípios como Juruena, onde alguns produtores tinham pouco contato prévio com iniciativas de inovação, foi necessário construir confiança antes da implementação das tecnologias.
“Isso exigiu um trabalho de construção de confiança, diálogo transparente e presença constante em campo para esclarecer dúvidas e mostrar a credibilidade do projeto. Esse relacionamento foi essencial para que os produtores se sentissem seguros e participassem das validações”, explica Rodrigo.

Em Comodoro, na região noroeste do estado, o produtor rural Paulo Adriano está testando uma tecnologia de monitoramento de incêndios florestais. Ele acredita que a ferramenta pode representar uma mudança importante na capacidade de resposta das propriedades durante o período de seca.
Para uma propriedade de 10 mil hectares, por exemplo, o produtor explica que é impossível acompanhar visualmente todos os pontos da área, especialmente regiões de mata fechada e locais onde não existem torres de observação.
“Dispor de uma tecnologia que, a cada 10 ou 20 minutos, monitora toda a área e emite alertas de focos de incêndio é fundamental, pois o fogo só se combate de verdade no início; depois disso, são apenas medidas paliativas”, afirma.
A solução utiliza o cadastro georreferenciado da propriedade para realizar o monitoramento. Conforme explica Paulo, a implementação é simples: após o fornecimento do CAR georreferenciado e o cadastramento dos telefones que receberão os alertas, o sistema pode começar a operar.
O produtor destaca ainda que a tecnologia pode ganhar força quando integrada à estrutura de combate a incêndios existente nas regiões. Para ele, a união entre produtores, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, com o mapeamento de equipamentos, pontos de água, pistas de pouso e equipes disponíveis, poderia criar uma rede regional de resposta rápida.
“Nosso feedback é indiscutivelmente positivo. A ferramenta agora se expandiu e monitora também qualquer modificação vegetal, permitindo uma visão constante da propriedade”, destaca.
Já ao norte de Mato Grosso, a produtora rural Ana Carolina Gauer, de Guarantã do Norte, também participa da validação de diferentes tecnologias. Na propriedade, voltada principalmente à pecuária de corte, ela utiliza a ferramenta InLida para registrar informações e acompanhar a gestão do rebanho.
Ana conta que já utilizava outra ferramenta para rastreamento e registro dos animais, mas encontrou na InLida recursos que considera mais adequados à rotina da propriedade.
“A InLida traz campos de informações extremamente úteis que geram relatórios organizados e vão facilitar muito a nossa tomada de decisão lá na frente”, afirma.
Outras soluções também estão sendo avaliadas na propriedade. Algumas dependem das condições climáticas para que os testes possam avançar, enquanto outras têm justamente a função de prevenção. É o caso do sistema NoFlame, voltado ao monitoramento de incêndios.
Para Ana, a experiência também tem servido para ampliar a visão sobre as possibilidades disponíveis para o produtor.
“Esse contato abre muito a nossa mente para novas possibilidades”, afirma. Ela também destaca a importância do acompanhamento realizado pelo AgriHub durante a implementação, desde a apresentação das ferramentas até o suporte às dúvidas que surgem no dia a dia.
A diversidade das propriedades e das atividades agrícolas de Mato Grosso também é considerada durante a etapa de validação. De acordo com o técnico de campo Rodrigo, a distribuição das tecnologias entre os municípios buscou justamente aproximar as soluções dos problemas enfrentados em cada localidade.
“As empresas se mostraram parceiras, sempre solícitas e disponíveis para acompanhar as validações, esclarecer dúvidas e buscar soluções para os desafios encontrados durante a execução do projeto”, afirma.



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