Sistema Famato | AgriHub apresenta resultados do Conecta 2026 com participação de 2,5 mil produtores em Mato Grosso

O AgriHub apresentou os resultados da 3ª edição do AgriHub Conecta, desenvolvido em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) e Sistema Federação de Agricultura de Mato Grosso (Sistema Famato). Na edição deste ano, a iniciativa mobilizou 2,5 mil produtores rurais e conectou demandas do campo a soluções tecnológicas e testes de tecnologias diretamente em propriedades rurais.

O lançamento do relatório reuniu representantes do setor produtivo e do ecossistema de inovação. Segundo o AgriHub, o documento consolida os principais resultados, aprendizados e impactos construídos ao longo das sete fases do programa, que incluem mobilização sindical, diagnóstico dos desafios, mapeamento de tecnologias, inovação aplicada, validação em campo, difusão de conhecimento e missão técnica de inovação.

Na edição 2026 do AgriHub Conecta, além dos 2,5 mil produtores mobilizados, participaram 58 sindicatos rurais, 150 técnicos de campo da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), 19 supervisores de campo e 11 supervisores regionais.

O programa buscou identificar as necessidades dos produtores e aproximá-las de empresas capazes de desenvolver ou oferecer soluções para problemas reais enfrentados nas propriedades.

De acordo com Erika Segóvia, gerente do AgriHub, o diagnóstico utilizou a Matriz Gravidade, Urgência e Frequência (Matriz GUF) para mensurar as principais dores relatadas pelos produtores. Entre os setores que concentram as maiores pontuações estão infraestrutura e tecnologia, custos operacionais, crédito e finanças e logística.

“Na lista dos principais desafios aparecem ainda a alta carga tributária, a escassez e qualificação da mão de obra, o alto custo da energia elétrica, o frete e a dificuldade de acesso ao crédito”, destacou Erika. 

Nesta edição, o programa também estruturou um funil para selecionar as startups participantes. Das 141 empresas inscritas, 117 foram consideradas elegíveis, 41 participaram do Pitch Interno, 18 chegaram aos Pitches Regionais e 14 foram selecionadas para a etapa de validação prática.

O relatório aponta ainda que 85% das agtechs selecionadas estavam em estágios avançados de desenvolvimento, que vão desde a operação, tração ou validação. Além disso, 65% já geravam faturamento e 69% possuíam clientes ativos. O perfil das empresas também mostra uma forte conexão com o estado: 80% já atuavam em Mato Grosso e 88% tinham equipes de até 15 colaboradores.

Entre as principais áreas atendidas pelas tecnologias selecionadas estão redução de custos operacionais (17%), acesso ao crédito (11%), selos de qualidade e sustentabilidade (11%), mão de obra (9%) e manejo do solo (6%).

Uma das etapas de maior conexão entre startups e produtores foi a validação em campo

Durante a etapa do “Dias de Inovação Aplicada”, do AgriHub Conecta, foram promovidos sete eventos nos quatro municípios-polo, reunindo 537 participantes. Foram 206 em Guarantã do Norte, 134 em Comodoro, 100 em Juruena e 97 em Tangará da Serra.

Uma das etapas de maior conexão entre startups e produtores foi a validação em campo. Ao todo, foram feitos 32 testes com nove startups e 27 produtores validadores, permitindo que as soluções fossem avaliadas em condições reais de operação.

Entre as tecnologias que concluíram os testes, a Solusolo, voltada à recuperação biológica do solo, recebeu nota 10 em intuitividade e 9,5 em suporte, enquanto 100% dos produtores participantes relataram melhora nos processos da propriedade. Já a NoFlame, direcionada ao monitoramento remoto de incêndios, alcançou nota 10 em intuitividade. A InLida, voltada à gestão pecuária offline, registrou nota 9,8 em suporte e 8,6 em intuitividade, com 60% dos produtores relatando melhora nos processos.

Conforme destacou Erika Segóvia, além da conexão entre produtores e startups, o AgriHub Conecta buscou ampliar a capacidade de disseminação da inovação dentro das próprias regiões produtoras. Como parte da iniciativa, 17 participantes com maior engajamento na mobilização sindical participaram de uma missão técnica aos ecossistemas de inovação do Paraná e de São Paulo.

“Durante a imersão, nosso grupo visitou instituições no Paraná e em São Paulo, como a Embrapa, Senai, Cubo Itaú e Supera Parque. O objetivo foi conhecer iniciativas e modelos de inovação que possam ser multiplicados posteriormente em Mato Grosso”, diz.

Para Linacis Lisboa, secretária Adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec MT), a conexão entre demandas do produtor e soluções tecnológicas é fundamental para dar mais segurança à adoção de novas ferramentas no campo.

“O trabalho do AgriHub de identificar as demandas e necessidades dos produtores e buscar parceiros que venham solucionar esses problemas, inclusive chegando à etapa de validação da tecnologia, é fundamental para gerar segurança para que o produtor que adere a tecnologia”, afirmou.

Segundo ela, o avanço tecnológico também é importante diante dos desafios de eficiência, competitividade e sustentabilidade enfrentados pela produção rural. “Nem sempre a solução está dentro da porteira. Muitas vezes, está fora dela. Por isso, é muito importante que exista essa instituição e esse trabalho de conexão”, acrescentou.

O fundador da startup residente no AgriHub FertiHedge – Insumos & Mercados Agro Marco Antônio de Oliveira, disse que a aproximação com os produtores permite que as empresas desenvolvam soluções mais alinhadas às necessidades reais do campo.

“A gente vai no problema que o produtor identificou e consegue ser muito mais assertivo com as nossas soluções. Às vezes, pensamos que resolvemos um problema, mas, quando chegamos à frente do produtor, percebemos que precisamos adaptar a solução. Com isso, nossas ferramentas ficam cada vez mais preparadas para o campo”, destacou.

Marco Antônio também ressaltou a importância de desenvolver soluções dentro do próprio estado. Para ele, o AgriHub Conecta mostra que o produtor mato-grossense não precisa necessariamente buscar fora do estado as tecnologias para enfrentar seus desafios.

“Mato Grosso é o maior centro do agro do país e tem tecnologias aqui dentro que ajudam o produtor com demandas que surgem aqui. O Conecta tem nos ajudado a entender esses problemas e adaptar nossas próprias ferramentas para atendê-los”, afirmou.

Acesse aqui o relatório completo do AgriHub Conecta

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