Sistema Famato | Ciclo de palestras na Famato debate manejo integrado do fogo e uso de tecnologias

O auditório da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) recebeu nesta quinta-feira (16) o Ciclo de Palestras: Manejo Integrado do Fogo, realizado pela Associação Mato-grossense dos Engenheiros Florestais (Amef). O encontro reuniu especialistas para discutir monitoramento, prevenção e estratégias de gestão dos incêndios florestais em Mato Grosso, com conteúdo voltado especialmente à capacitação de profissionais da área florestal.

Na abertura, o diretor de Relações Institucionais da Famato, Ronaldo Vinha, destacou a importância da atuação conjunta entre produtores rurais, Corpo de Bombeiros e instituições na prevenção e no combate aos incêndios. Ele ressaltou ainda a necessidade de ampliar a conscientização no campo e manter estruturas adequadas, como os aceiros.

“É muito importante a conscientização do pessoal rural. Os fazendeiros hoje entendem isso e colocam o seu maquinário à disposição. Ninguém conhece mais a fazenda onde está pegando fogo do que o próprio dono. Ele sabe onde tem uma vazão, onde tem um córrego, onde tem uma represa. Essa parceria tem que ser mantida para esse combate do fogo”, afirmou Ronaldo.

Diretor de relações institucionais da Famato, Ronaldo Vinha, destacou importância da atuação conjunta entre produtores rurais para evitar queimadas

O primeiro tema apresentado foi “Mato Grosso, medido todos os dias”, conduzido pelo engenheiro florestal Paulo Mariotti. A palestra abordou o monitoramento contínuo do território e o uso de dados para acompanhar as condições do estado e apoiar ações de prevenção e gestão dos incêndios.

Segundo Paulo, plataformas de monitoramento também permitem que o produtor tenha acesso a informações específicas sobre sua propriedade e acompanhe alterações identificadas no território. “Você pode fazer um zoom lá e pegar a informação por uma propriedade rural. Você consegue trazer essa informação a nível de propriedade”, explicou.

Para o engenheiro, ter acesso antecipado a essas informações pode ajudar o produtor a identificar situações que, em alguns casos, só chegam ao seu conhecimento posteriormente, por meio de uma fiscalização ou autuação.

“Uma plataforma como o Sentinela Rural permite que o produtor rural tenha essa informação assim que ela passa a existir em um determinado sistema”, destacou.

Na sequência, o engenheiro florestal Jhonathan José Borella apresentou a solução No Flame, startup residente no AgriHub, que atua no monitoramento e na detecção de alterações no território. A tecnologia busca agilizar a identificação de focos de incêndio e permitir uma resposta mais rápida às ocorrências.

Residente do AgriHub mostrou como funciona a tecnologia busca agilizar a identificação de focos de incêndio e cenário do El Nino

De acordo com Jhonathan, a solução foi desenvolvida para atuar em duas etapas do Manejo Integrado do Fogo: o monitoramento e a emissão de alertas que possibilitem uma ação precoce. “Nosso objetivo é muito específico, que é atender duas lacunas dentro do plano de manejo integrado do fogo: fazer o monitoramento, que já é o início do combate ao incêndio, até a emissão do alerta para a possibilidade de uma atitude e uma ação precoce ali no combate ao incêndio”, explicou.

Além dos incêndios, o sistema também identifica alterações na vegetação, como desmatamento e exploração seletiva. A proposta, segundo o palestrante, é oferecer uma ferramenta de acompanhamento durante todo o ano. “Hoje em dia não se fala mais em estação de fogo. O ano inteiro você tem que estar fazendo alguma ação pensando ou no combate ou na prevenção do incêndio”, afirmou.

O tenente-coronel Heitor Alves de Souza, comandante do Batalhão de Emergências Ambientais, também participou da programação com a palestra “Gestão de Incêndios Florestais”. Ele apresentou estratégias de atuação e ações desenvolvidas no estado para prevenção e enfrentamento dos incêndios, entre elas o projeto Florestinha e o Desafio Repórter Sentinelas do Amanhã, que já alcançou mais de 23 mil alunos.

O ciclo foi encerrado com a palestra “Manejo Integrado do Fogo”, ministrada pelo engenheiro florestal e coronel da reserva do Corpo de Bombeiros, Paulo André da Silva Barroso, especialista em incêndios florestais e mestre em Defesa e Segurança Civil. A apresentação tratou de estratégias de prevenção e gestão do fogo, considerando planejamento, características da vegetação, condições climáticas e redução do material combustível (assista abaixo a íntegra das palestras).

O tema também está relacionado às regras que integram a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, instituída pela Lei nº 14.944/2024 e regulamentada por normas do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (Comif). Entre as previsões está a elaboração do Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF) em situações específicas, como para imóveis rurais onde serão realizadas queimadas prescritas e propriedades localizadas em áreas prioritárias para prevenção de incêndios florestais, conforme definição dos órgãos ambientais competentes.

Nesse contexto, a Resolução Comif nº 3/2025 estabelece medidas de prevenção e preparação para os imóveis rurais, como treinamento de pessoas, manutenção de aceiros, disponibilidade de equipamentos, comunicação e alerta e monitoramento. O prazo para adequação a essas medidas termina em setembro de 2027.

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