O contraste da folha salarial dos clubes com a luta pelo fim da 6×1

Mas isso me parece óbvio e quase desnecessário repetir.

O que me chama a atenção é o contraste deste levantamento com a votação que está prestes a acontecer no Senado, pelo fim da escala 6×1. Alguns dos jogadores em questão ganham milhões todo mês. Neymar recebe R$ 4 milhões só em carteira assinada, fora os direitos de imagem e sua participação nos contratos. Tratam-se de homens muito ricos que, em sua maioria, tem origem pobre. E que, mesmo com todo seu patrimônio e privilégio, raramente se manifestam politicamente a favor de quem mais precisa.

No dia em que o Brasil pode aprovar dois dias de descanso para quem atravessa jornadas desumanas por salários que mal botam comida na mesa, não vemos estes milionários se manifestarem. Continuamos sem saber o que pensam. Nem eles, nem os clubes que pagam seus soldos estratosféricos, mesmo sem ter orçamento para isso.

Nunca foi tão claro que o trabalhador e a trabalhadora que verdadeiramente sustentam o futebol vivem uma relação de amor de mão única. Dedicam seu tempo, seu parco dinheiro e sua saúde mental a estes clubes, a estes homens, e não recebem de volta um único post em rede social a favor dos seus direitos.

Ao contrário das bets. Esse amor é uma via de mão dupla, com os torcedores sendo atropelados dos dois lados.

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