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Em contrapartida a esse consentimento, a administração pública e o braço policial intermediário garantiam o recuo deliberado das incursões operacionais do Estado e a subsequente devolução pacífica do pleno controle territorial aos integrantes do tráfico de entorpecentes logo após a conclusão das intervenções asfálticas.
Trecho da representação da Polícia Federal
A PF também destaca a relação de Canella com Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, apontado pelos investigadores como líder do grupo miliciano “Somos Comunidade” — como prefeito, Canella ficou conhecido por ações de remoção de barricadas de criminosos na cidade.
Presidente do União Brasil no Rio, o político foi o segundo deputado estadual mais votado nas eleições no RJ (197.178 votos).
Outro lado: a assessoria de imprensa de Canella afirmou ao UOL que ainda não teve acesso aos autos.
Relação com o CV
Na representação, a PF afirma que o capitão da Polícia Militar Alessander Ribeiro Estrella Rosa atuava como intermediário entre lideranças do Comando Vermelho e a administração municipal chefiada por Canella.
O documento cita diálogos do oficial com Edgar Alves de Andrade, o Doca, e José Severino da Silva Júnior, o Soró, apontados como lideranças da facção.
Segundo a PF, a suposta negociação previa que traficantes retirassem barricadas para permitir a realização de obras públicas. Em contrapartida, a administração municipal e o intermediário policial teriam garantido a redução das operações do Estado e a devolução do controle territorial aos criminosos após a conclusão das obras.
PF cita vínculo com liderança de milícia
Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, é apontado pela Polícia Federal como principal liderança do grupo miliciano Somos Comunidade, que atua na Baixada Fluminense. A representação aponta proximidade entre ele e Márcio Canella.
O documento também menciona a nomeação de Giane Prudêncio, mulher de Jura, para um cargo comissionado no gabinete parlamentar de Canella na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Além disso, cita a nomeação, para secretarias municipais de Belford Roxo, de ex-vereadores investigados por possíveis ligações com milícias.

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