CNBB critica redução da maioridade penal em meio a debate no Congresso

Do lado do PT, a articulação do líder do partido no Senado, Camilo Santana (PT-CE), para incluir na PEC a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos provocou uma crise na bancada petista.

A CNBB defende que adolescentes envolvidos no crime são também “vítimas da pobreza, da exclusão educacional, da desestruturação familiar, da dependência química e do aliciamento pelo crime organizado”. “Inseri-los precocemente no sistema prisional tende a ampliar ciclos de violência e exclusão, comprometendo sua ressocialização”, argumenta a entidade.

O Brasil será mais seguro se investir na proteção, na educação e na promoção de sua juventude, e não ampliando o encarceramento precoce de adolescentes. Confiando à intercessão de Nossa Senhora Aparecida os trabalhos desta Casa Legislativa e o futuro da juventude brasileira, renovamos nossa estima e nossas orações por todos os que exercem o nobre serviço da representação popular.
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

O reforço de posicionamento da CNBB ocorre após ser envolvida em um dos principais temas do debate eleitoral. A entidade foi acusada pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que não apresentou provas, de ter articulado com o PT a disseminação da fake news sobre a Nossa Senhora Aparecida.

Semanas antes do primeiro turno, publicações nas redes sociais afirmavam que Flávio apoiaria um projeto de lei para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. “O PT, eu sei hoje, já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com a ajuda de gente dentro da CNBB”, afirmou o candidato do PL.

No mesmo dia, a entidade rechaçou a acusação feita por Flávio e disse que “não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”. “Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira”, afirmou, na ocasião.

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