Maioridade penal, festas de Vorcaro, mea culpa: o que Lula disse no JN

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos em caso de crimes hediondos, disse que uma reforma no Judiciário é “irreversível” e culpou a si mesmo pelo resultado da votação do primeiro turno e pela alta desaprovação do seu governo durante sabatina nesta quinta-feira (15) no Jornal Nacional, na Globo.

Lula também respondeu a perguntas da jornalista Renata Lo Prete sobre segurança pública, o reajuste do Bolsa Família às vésperas da eleição e a sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Amanhã, o sabatinado será o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário no segundo turno.

Do lado de fora da TV Globo, cerca de 70 militantes do PT acompanharam a entrevista em um telão montado sobre uma picape. Parte do grupo veio de Maricá (região metropolitana do Rio) e outra chegou em uma van do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). A maior reação ocorreu quando Lula falou sobre o fim da escala 6×1 e o apoio aos microempreendedores. O presidente não passou pelo grupo nem na chegada nem na saída.

Maioridade penal de 16 anos

Lula se declarou favorável à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos, contrariando a posição histórica do PT, que sempre se opôs à medida. O tema surgiu após uma pergunta sobre a proposta do senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT), que enfrenta resistência dentro do partido.

Eu sou favorável a reduzir pra dezesseis, mas não discutindo nessa PEC, porque essa PEC não é pra discutir isso. Primeiro você discuta a PEC, aprova a PEC, e aí você pode discutir a maioridade penal ou não.

O candidato lembrou que o PL, partido de Flávio Bolsonaro, havia defendido a redução para 14 anos, enquanto Camilo propôs 16 anos. O tema está em discussão no Senado.

Dificuldades no primeiro turno

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Lula assumiu a responsabilidade pela rejeição ao governo e pelas dificuldades enfrentadas no primeiro turno. Reconheceu falhas na comunicação com a população e afirmou que os primeiros anos de mandato foram dedicados à recuperação do país.

Eu acho que tudo é responsabilidade minha. Veja, eu sou o governo.

Ao comparar o cenário atual com o de 2010, quando encerrou seu segundo mandato, avaliou que os eleitores esperavam encontrar condições semelhantes às daquele período.

“Eu só lamento que eu não tenha tido a capacidade de fazer o povo compreender as coisas que eu fiz, porque foram muitas coisas.”

Crise no STF e reforma do Judiciário

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Lula afirmou que a extrema direita usa o escândalo do Banco Master para atacar Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), por sua atuação na prisão de Jair Bolsonaro. Também citou Dias Toffoli, André Mendonça e Kassio Nunes Marques ao falar das suspeitas envolvendo integrantes da Corte.

Obviamente que a extrema-direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas, porque eles querem cassar o Alexandre de Moraes, não é por conta do Banco Master apenas. Eles querem cassar Alexandre de Moraes, porque o Alexandre de Moraes prendeu o pai do Flávio Bolsonaro.

O caso envolve suspeitas de ligações entre ministros do STF e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado por fraudes financeiras. Mensagens do banqueiro também levantaram suspeitas sobre festas com autoridades e pagamento de acompanhantes.

Ao comentar as denúncias, Lula se referiu a “orgias” e defendeu mudanças no Judiciário, como mandatos para ministros e novos critérios de escolha.

Cada dia eu vejo a notícia, cada dia eu vejo uma coisa que é inacreditável você imaginar. As festas noturnas, a quantidade de mulheres, a quantidade de pessoas envolvidas, ou seja, da República, envolvendo o ministro da Suprema Corte, que é a instância maior deste país.

Lula ainda afirmou ter conversado três vezes com o ministro Edson Fachin, presidente do STF, sobre as denúncias. “Eu já disse uma vez que quem quiser ser rico não pode ser ministro da Suprema Corte. Ali é um sacerdócio.”

Diretor da PF e encontro com Vorcaro

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Lula afirmou ter repreendido o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por participar de um evento de Vorcaro, em Londres. Segundo o presidente, as explicações do delegado não foram convincentes. Ele também evitou dizer se manteria Rodrigues no cargo em um eventual novo mandato.

Ele me deu uma explicação, sabe? Não foi convincente pra mim. Agora, não foi convincente pra mim. Ele não precisava ter ido. Não precisava ter ido, aliás, ninguém precisava ter ido pra aquela festa. Ninguém.

Sobre o encontro que teve com Vorcaro no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, o candidato disse que o banqueiro reclamou de perseguição política. De acordo com Lula, ele disse que o Banco Central investigaria as suspeitas com base em critérios técnicos.

E eu disse o seguinte: você não vai ser perseguido, você vai ser investigado.

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