PF prende Márcio Canella, segundo deputado estadual mais votado no Rio

A investigação aponta que o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos — de acordo com um Relatório de Inteligência Financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) enviado à PF.

Também foram presos quatro inspetores da Polícia Civil. São eles: Giovanni Gaspar Fernandes, Christiano Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira, o Pablo Russo —o último é suspeito de ser “laranja” no esquema de postos de combustíveis utilizados na lavagem de dinheiro.

Outro lado: a assessoria de imprensa de Canella afirmou ao UOL que ainda não teve acesso aos autos. A reportagem tenta contato com sua defesa.

Aliado de Flávio Bolsonaro

Canella era pré-candidato ao Senado com apoio de Flávio Bolsonaro (PL) quando foi preso em flagrante, em julho, pela Polícia Federal. Na sexta fase da Operação Unha e Carne, havia contra ele um mandado de busca, mas os agentes encontraram um fuzil de calibre restrito em seu carro e ele foi preso em flagrante.

Uma decisão do ministro Alexandre de Moraes revogou a prisão preventiva.

Canella decidiu tentar novamente a Alerj, por conta da exposição do caso e de sua ligação com a família Bolsonaro — Rogéria Bolsonaro, ex-mulher de Jair e mãe de Flávio, Eduardo e Carlos, seria sua suplente na candidatura ao Senado.

A Procuradoria Regional Eleitoral pediu o indeferimento da candidatura por causa da prisão em julho e de apurações sobre supostas ligações com o crime organizado. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro liberou a candidatura, e Canella conquistou o quarto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa.

Belford Roxo foi o principal reduto eleitoral de Canella. O município concentrou 133.956 dos votos válidos recebidos por ele.

A PF e o Ministério Público afirmam que Canella nomeou secretários municipais e abrigou em gabinetes chefes de organizações paramilitares e parentes de lideranças de milícias. As investigações citam grupos que atuam na Baixada Fluminense. Ele nega as acusações.

Operação da PF

Agentes cumpriram seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios do estado. As ordens judiciais foram executadas no Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento dos mandados contra policiais civis investigados.

Além de organização criminosa armada, os alvos podem responder, conforme a participação de cada um, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, entre outros crimes.

Operação está ligada à Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela PF para combater grupos criminosos no estado. A iniciativa, segundo a PF, segue diretrizes definidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635 e foi tema de reunião em 6 de outubro entre a direção-geral da corporação e o ministro Alexandre de Moraes, no STF.

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