![]()
O deputado estadual Márcio Canella (União Brasil-RJ), preso na manhã de hoje pela Polícia Federal, foi pré-candidato ao Senado pelo Rio com o apoio de Flávio Bolsonaro (PL).
Candidatura foi derrubada após 1ª prisão
Em julho, Canella foi preso em flagrante pela PF. Na sexta fase da Operação Unha e Carne, havia contra ele um mandado de busca, e os agentes encontraram um fuzil de calibre restrito em seu carro.
O vereador do Rio Jorge Canella, que é coronel da reserva, foi preso no mês passado por ter fornecido o fuzil. Márcio negou que a arma pertencesse a ele e teve a prisão preventiva revogada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Após o episódio, o deputado deixou a corrida ao Senado e decidiu tentar novamente uma vaga na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). A decisão se deu por conta da exposição do caso e de sua ligação com a família Bolsonaro — Rogéria Bolsonaro, ex-mulher de Jair e mãe de Flávio, Eduardo e Carlos, seria sua suplente na disputa ao Senado.
A Procuradoria Regional Eleitoral chegou a pedir indeferimento da candidatura de Canella à Alerj. O órgão justificou o pedido com a prisão de julho e com supostas ligações do político com o crime organizado. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, contudo, liberou a candidatura, e Canella conquistou seu quarto mandato.
Canella foi o segundo deputado estadual mais votado no Rio nas eleições de 4 de outubro. Ele recebeu 197.178 votos no estado, sendo grande parte em Belfort Roxo, na Baixada Fluminense, seu reduto eleitoral.
Eleito prefeito de Belfort Roxo em 2024, Canella deixou o cargo para, a princípio, concorrer ao Senado. A trajetória política do deputado começou anos antes, em 2012, quando foi eleito vereador do município na Baixada Fluminense. Dois anos depois, largou o posto para assumir uma cadeira na Alerj. Em 2016, foi eleito vice-prefeito da cidade na chapa com Waguinho (Republicanos) e, em 2018, voltou a se eleger deputado estadual. Hoje, Canella também preside o diretório do União Brasil no Rio de Janeiro.
Operação da PF
A PF deflagrou hoje a oitava fase da Operação Unha e Carne. A investigação mira uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na região metropolitana do Rio como estrutura de lavagem de dinheiro. Relatório de Inteligência Financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) aponta que o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos.
Também foram presos quatro inspetores da Polícia Civil. São eles: Giovanni Gaspar Fernandes, Christiano Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira, o Pablo Russo —o último é suspeito de ser “laranja” no esquema de postos de combustíveis utilizados na lavagem de dinheiro.
Outro lado: a assessoria de imprensa de Canella afirmou ao UOL que ainda não teve acesso aos autos. A reportagem tenta contato com sua defesa e com a assessoria de Flávio Bolsonaro.

Deixe um comentário