A conversa do então banqueiro com o dono do imóvel, porém, trata apenas do aluguel e da venda desse apartamento. Em 2018, quando se conheceram, Vorcaro queria alugar o imóvel para morar com sua família, que acabou desistindo de se mudar para São Paulo.
Em 2019, surgiu a ideia de alugar o apartamento a Sidney, quando ele ainda trabalhava como advogado para o Master. A compra ocorreu em 2020, quando ele morava lá e já trabalhava na Febraban.
“Não participei das mensagens trocadas entre o vendedor e Daniel Vorcaro sobre valores, às quais somente agora tive acesso por meio da reportagem. Qualquer valor de pagamento feito ao ex-proprietário que não tenha constado da escritura de compra e venda decorre de transação da qual não fiz parte”, disse Sidney.
Aluguel de R$ 50 mil
Segundo as mensagens, Vorcaro também pagou a maior parte do aluguel de Sidney antes da compra.
Em fevereiro de 2019, o banqueiro negociou com o dono a locação da cobertura. “Não precisa tratar nada de comercial. Deixa isso comigo. Valores etc.”, escreveu a Isaac.
O contrato formal, de R$ 15 mil por mês, registrou só a parte de Isaac, que pagou R$ 174 mil adiantados pelo primeiro ano. O aluguel pedido pelo dono era de R$ 50 mil.
Pela conta do vendedor, Vorcaro cobriria a diferença por 18 meses, mais impostos. “Isso tudo dá 946”, escreveu ele ao banqueiro, em referência a R$ 946 mil.
Vorcaro fez os pagamentos entre março e abril de 2019, com transferências e boletos de contas pessoais do dono do imóvel.
Naquele momento, Isaac havia deixado o BC e atuava pelo Máxima junto ao órgão. Mas o aluguel pago por Vorcaro, já que era antecipado, cobre também o período em que ele já estava na Febraban.
Isaac assumiu a vice-presidência da entidade em maio de 2019 e a presidência em março de 2020.
O dono do imóvel tratou o acerto como sigiloso. “Aquele valor que a gente negociou é por fora, não tem IR”, disse em áudio a Vorcaro.

Venda em 2020
O apartamento foi vendido a Sidney em novembro de 2020 por R$ 7,3 milhões. Ele presidia a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) desde março daquele ano —no período entre maio de 2019 e março de 2020, era diretor da entidade.
De acordo com a escritura, Isaac teria pago R$ 1,8 milhão com recursos próprios e os outros R$ 5,5 milhões vieram de um empréstimo do Banco Master. O UOL teve acesso aos comprovantes desses pagamentos.
Nos documentos no celular de Vorcaro, porém, além do empréstimo, constam transferências do Master ao vendedor no total de R$ 1,2 milhão, que não estão descritas na escritura.
“O que posso assegurar é que o valor do imóvel objeto da negociação entre o comprador e o vendedor, bem como as condições de pagamento correspondem rigorosamente ao que constou da escritura pública e do Imposto de Renda do comprador”, disse Sidney ao UOL.
Empréstimo quitado depois
O empréstimo de R$ 5,5 milhões com o Master foi quitado 13 meses depois, antes que Sidney tivesse que pagar a primeira parcela pela dívida, já que havia um ano de carência.
O presidente da Febraban diz ter usado ativos para quitar a dívida, que, segundo ele, tinha sido cedida a um terceiro. Questionado, Isaac não esclareceu quais ativos são esses.
Antes de trabalhar na Febraban, Sidney atuou como advogado para o Banco Master —então Banco Máxima— na aprovação pelo Banco Central da transferência do banco para Vorcaro.

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