Casado: Flávio se diferenciou do pai, mas deixou perguntas sem resposta

Letícia Casado disse que Flávio Bolsonaro repetiu pontos da campanha, evitou responder perguntas e fez acusações durante entrevista ocorrida na Rede Globo, mas conseguiu se diferenciar do pai pela postura mais moderada.

O que aconteceu

Segundo Casado, Flávio repetiu discursos já usados na campanha e desviou de perguntas feitas por Renata Lo Prete. “O Flávio repetiu várias coisas do discurso que ele já vem falando ao longo dos últimos meses. Ele não respondeu várias coisas que foram perguntadas, porque a Renata Lo Prete fazia uma pergunta e ele vinha com uma resposta qualquer, falando sobre qualquer outra coisa.”

A jornalista afirmou que o candidato apostou em “frases de efeito” e deixou questões sem resposta, além de lançar acusações. “Ele vinha com uma resposta qualquer, falando sobre qualquer outra coisa, trazendo o assunto que ele queria falar, as frases de efeito que ele queria provocar, promover. Ele deixou muitas perguntas sem resposta e fez muita acusação contra o PT, contra o Lula.”

Para Casado, a postura foi o ponto que mais chamou atenção e ajudou Flávio a marcar diferença em relação a Jair Bolsonaro. “Teve uma coisa que me chamou a atenção que foi a postura geral do Flávio. Eu acho que nesse ponto ele conseguiu marcar uma diferenciação pro pai dele.”

Ela disse que Flávio buscou passar uma imagem de moderação, apesar do nervosismo. “Aquela ansiedade que o Jair Bolsonaro tem, a forma mais agressiva do Jair de falar. O Flávio, que tem ao longo do ano inteiro tentado passar a imagem de ‘Flávio moderado’, eu acho que ele conseguiu alcançar isso em certo ponto, ele conseguiu, apesar do nervosismo.”

Casado também afirmou que o candidato jogou informações “ao vento” e foi contestado durante a entrevista. “A Renata tentou marcar posição e dizer: ‘mas isso não tem investigação comprovada’, e ele vinha e soltava uma resposta, jogava uma informação ao vento, várias coisas que ele falou que não eram compatíveis com o que a gente sabe, com os fatos.”

Fala sobre escala 6×1 entrou na entrevista

Na entrevista, Flávio foi cobrado sobre a mudança de posição em relação à PEC do fim da escala 6×1 e disse que passou a defender a extinção do modelo. “Eu sempre defendi mais liberdade para que os trabalhadores pudessem inclusive montar sua própria zona de trabalho. Portanto, isso também pressupõe que a escala 6×1 seja extinta e uma outra acontecesse.”

Ele afirmou que pretende garantir creche e voucher para mães, como parte do plano. “Então, no meu governo, eu vou garantir creche para as mães que podem deixar as suas filhas e seus filhos. Onde não tiver vaga na rede pública, você vai ter um voucher que o governo vai bancar pra você colocar a sua criança numa creche privada.”

Questionado sobre o motivo da mudança, Flávio disse que seguiu o que ouviu “nas ruas”. “Eu rodei o Brasil inteiro, eu ouvi muitos trabalhadores e eu votei conforme o que eu ouvia nas ruas. Como eu ouvi da grande maioria dos trabalhadores que eles estavam favoráveis ao fim da escala 6×1, eu resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros.”

Críticas sobre economia e promessas sem conta

José Roberto de Toledo avaliou que Flávio prometeu medidas sem explicar como financiaria as propostas. “Ele disse exatamente essa história de ficar prometendo um monte de coisas, que você não tem como demonstrar que você vai conseguir fazer ao mesmo tempo. De onde vem o dinheiro? É tudo mágico, é pensamento mágico.”

João Paulo Charleaux disse que o candidato tenta agradar grupos com demandas contraditórias e, ainda assim, promete “o melhor dos dois mundos”. “Ele promete, ele reza para dois santos que são muito contraditórios. O Flávio não foi para um lado nem para o outro, porque ele promete o melhor dos dois mundos, que não é possível existir.”

Charleaux afirmou que as fontes de receita citadas seriam incertas ou pequenas diante do ajuste prometido. “As fontes de receita que ele aponta ou são extremamente incertas, ou são de uma escala de grandeza muito inferior ao que ele precisaria fazer de ajuste para gerar o superávit que ele promete.”

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