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A Elytron disse, segundo o Intercept, que “repudia veementemente qualquer tentativa de associar seu nome à disseminação de informações falsas, ao uso de deepfakes ou à realização de operações clandestinas de manipulação da opinião pública”. Também afirmou que “atua no segmento de segurança cibernética e da informação, com serviços de natureza exclusivamente defensiva, e não oferece, não executa nem autoriza esse tipo de prática para nenhum cliente, nacional ou internacional, incluindo a campanha do senador Flávio Bolsonaro”.
O que diz a reportagem do Intercept Brasil
Pagamentos aparecem na prestação de contas da campanha no DivulgaCand, sistema da Justiça Eleitoral. O Intercept Brasil afirma que há três notas fiscais emitidas pela Elytron, todas descritas como “consultoria em tecnologia da informação” e com referências genéricas a serviços como apoio forense, investigação de phishing, teste de segurança e monitoramento de infraestrutura. Duas notas no valor de R$ 500 mil cada, são de 16 de setembro de 2026, mas uma delas aparece como cancelada. Uma terceira nota, de R$ 100 mil, foi emitida em 2 de outubro. Também de acordo com o site, no final de setembro, em uma prestação de contas parcial à Justiça Eleitoral, a campanha de Flávio havia declarado R$ 1 milhão de despesa com a companhia.
Campanha diz que atuou legalmente. “A contratação seguiu os procedimentos regulares, com escopo definido, documentação fiscal e prestação de contas à Justiça Eleitoral”, diz a nota enviada à reportagem do Intercept.
O partido de Flávio, o PL, também declarou despesa com a empresa, em 20 de julho deste ano. De acordo com a reportagem, o pagamento registrado pelo partido soma R$ 131,9 mil e aparece como “serviços técnico-profissionais”.
O Intercept afirma que documentos entregues por um ex-consultor da Elytron descrevem uma oferta de operação clandestina para influenciar eleitores. Vincent Edward Reed diz ter atuado como consultor da empresa entre 2024 e 2025. “Quando vi a demonstração [do sistema] e o dashboard, pude entender do que era capaz. E isso foi preocupante para mim porque vi que estava mirando eleitores e poderia atingi-los com deepfakes de IA”, disse Reed ao site, segundo a reportagem.
Reed disse ao site que rompeu com a empresa por considerar que o sistema poderia violar limites éticos e legais. “O termo manipulação foi de fato usado. E qualquer vez que eu ouço a palavra manipulação humana, especialmente quando envolve IA, me preocupa”, afirmou ao Intercept Brasil.
Não há, segundo a reportagem, evidências de que o sistema descrito nos documentos tenha sido usado pela campanha de Flávio ou pelo PL nas eleições de 2026. O Intercept Brasil relata que Reed procurou autoridades nos EUA, como o FBI e o Comitê de Supervisão da Câmara, mas que as apurações não avançaram.
Material citado na reportagem aponta que a empresa ofereceu segmentação de públicos com base em dados e inteligência artificial. Segundo o site, há documentos que apontam que o objetivo do sistema ultrapassava a análise de dados. Reed disse ao site que um deles se trata de apresentação confidencial a pessoas ligadas à campanha de Trump em 2024. O material, segundo o Intercept, traz a seguinte descrição: “Nós desenvolvemos soluções de ponta que aparelham big data como nunca antes”.
Segundo o Intercept, uma das táticas descritas pela empresa é a “disseminação direcionada de uma opinião ou informação (rumores, mensagens-chave, ideias) em um grupo específico”. Um documento, de acordo com o site, descreve a ação: “Por exemplo, se o objetivo estratégico for associar um oponente a uma determinada opinião, podemos introduzir essa opinião com precisão em vários grupos-alvo, influenciando, assim, a percepção coletiva”. Entre os serviços, afirma o Intercept, está a descredibilização de adversários.
Segundo o Intercept, o mesmo conjunto de documentos menciona ações que, em tese, extrapolariam marketing político e entrariam em “comportamentos inautênticos”. Entre as práticas listadas estariam criação de contas falsas, disseminação coordenada de boatos e uso de avatares gerados por IA, de acordo com a reportagem do site.
O que disse a Elytron ao Intercept
De acordo com o Intercept, a Elytron se apresenta como uma empresa de segurança da informação com atuação internacional. A empresa tem endereço comercial em São Paulo e registro em Portugal desde 2021, diz o site.
O Incercept disse que a Elytron informou que não prestou serviços para a campanha de Trump. Segundo o site, a empresa disse ainda que não autorizou a “realização de apresentações comerciais em seu nome para oferecer operações de influência política” e que vai apurar os fatos e eventuais responsabilidades relacionadas ao uso indevido de seu nome.
A companhia também declarou que os serviços prestados à campanha e ao partido tiveram finalidade preventiva. Segundo a nota, os trabalhos “possuem finalidade técnica e preventiva, voltada à proteção cibernética, à segurança das comunicações, à preservação da confidencialidade de informações e à proteção da infraestrutura tecnológica dos contratantes”.
Sobre a atuação internacional, a empresa disse ter uma pessoa jurídica em Portugal por razões societárias e tributárias. A Elytron afirmou ainda que parceiros no exterior são “parceiros comerciais independentes, cuja relação com a Elytron brasileira se limita à prospecção e indicação de oportunidades de negócios, mediante remuneração por comissionamento”.

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