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José Roberto de Toledo avaliou que a entrevista do presidente Lula na TV Globo, com Renata Lo Prete, foi “bem melhor” do que a realizada no primeiro turno e atribuiu parte do resultado à condução da jornalista.
O que aconteceu
Toledo disse que Lula apareceu menos defensivo e com discurso mais voltado ao futuro, mas também apontou sinais de ansiedade durante a sabatina. “Eu achei que o desempenho do Lula nessa segunda entrevista no Jornal Nacional foi bem melhor. A entrevista em si foi muito melhor. E eu atribuo isso ao Lula um pouco menos na defensiva, mas também à condução da entrevista pela Renata Lo Prete. Foi, com todo respeito aos colegas, muito melhor do que a condução na edição anterior do primeiro turno”, afirmou.
Segundo o jornalista, o presidente interrompeu perguntas antes do fim, o que, para ele, expôs o estado emocional do candidato. “Ele estava tão ansioso para responder, que ele cortava o final da pergunta da Renata e começava a responder antes que ela terminasse de falar”, comentou, ao citar que a câmera ainda estava em plano aberto ou focada na entrevistadora.
Toledo avaliou que Lula tentou ajustar a mensagem para a reta final, com mais promessas e menos defesa do passado, mas disse que a mudança ainda foi insuficiente. “Nessa, ele continuou falando tudo o que ele fez, mas ele se preocupou em falar um pouco mais sobre o que pretende fazer. Como a eleição é sobre esperança e como esta eleição é uma eleição de desejo de mudança, se ele não tivesse feito essa mudança no discurso dele, eu acho que teria sido muito ruim, novamente”, disse.
O jornalista também comentou o cenário apontado por pesquisas citadas no programa e disse ver dificuldade para Lula crescer. “Ele tá estável num patamar. Ele não perde, mas também não ganha. O Lula, a avaliação do governo também não melhora, então por isso ele não consegue crescer. Eu diria que hoje é mais fácil o Flávio perder a eleição do que o Lula ganhar”, afirmou.
O que faltou na entrevista, segundo os analistas
Letícia Casado disse que Lula mostrou evolução no segundo turno, com tom mais controlado e menos confronto, mas avaliou que ele poderia ter antecipado temas da campanha. “O Lula do segundo turno, ele já está sendo muito melhor do que o Lula do primeiro turno. A campanha eleitoral é sobre esperança. A população quer saber o que vai acontecer, o que seria o Lula 4 [quarto mandato]”, afirmou.
Para a colunista, o presidente deixou para o fim uma bandeira que poderia ter explorado mais. “Só acho que ele podia ter puxado a questão da 6×1, falado do fim da escala 6×1, antes. Ele deixou muito para o final”, disse.
Toledo concordou e afirmou que Lula mencionou pouco o tema e perdeu a chance de aprofundar outros assuntos que poderiam render votos. “Ele teria que ter achado uma brecha para mencionar essa questão muito antes e em muito mais profundidade. Ele praticamente não falou da escala, foi muito pouco. Podia ter falado do vale gás, uns dois minutos, que ia ganhar alguns votos, talvez. Ele ficou muito atropelado no fim”, avaliou.
Letícia também destacou que Renata Lo Prete “dominou a pauta” e evitou transformar a entrevista em palanque, mas disse que Lula poderia ter feito críticas mais diretas ao adversário. “Ela conduziu muito a entrevista, ela dominou a pauta. Mas, claro que há lacunas e coisas que ele podia ter conseguido explorar mais”, comentou.

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