O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, atacou Lula (PT), criticou a TV Globo e o STF (Supremo Tribunal Federal), disse que não tratou de cargo com o pai nem o irmão Eduardo vai ser chanceler e prometeu não disputar a reeleição caso vença o segundo turno.
Na entrevista a Renata Lo Prete, no Jornal Nacional, nesta sexta-feira (16), o candidato mencionou Lula logo no primeiro minuto e deixou propostas um pouco de lado para criticar o atual governo.
Ele usou uma cola na mão, repetindo uma estratégia do pai, e houve panelaços em várias capitais antes e depois da entrevista.
Ataques a Lula
Flávio acusou Lula de espalhar informações falsas sobre suas propostas econômicas e afirmou que a saída do petista seria a principal medida para melhorar as contas públicas. Também negou que pretenda acabar com aposentadorias ou privatizar estatais e afirmou que vai manter o reajuste do salário mínimo e o teto de gastos para saúde e educação.
Meu concorrente está promovendo um verdadeiro terrorismo, dizendo que eu acabaria com as aposentadorias, com os servidores públicos, que privatizaria Banco do Brasil, Caixa e Petrobras.
Em vez de responder sobre os atos golpistas do 8 de Janeiro, o senador acusou Lula de prejudicar motoboys de São Paulo por divergências políticas com o prefeito Ricardo Nunes (MDB). Segundo ele, o governo estaria impedindo a autorização da faixa azul para motociclistas.
Crítica à Globo
Flávio comparou o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, com os mais de R$ 100 milhões que, segundo ele, a Globo recebeu em publicidade do Banco Master. Também citou o desligamento de um diretor após a divulgação de conversas com Daniel Vorcaro.
A Globo recebeu mais de R$ 100 milhões para fazer uma propaganda do banco. O que tem de errado nisso? Nada.
Renata Lo Prete rebateu a comparação e explicou que a compra de publicidade segue regras de transparência e não interfere na independência editorial da emissora. A jornalista também confirmou o desligamento do diretor após a divulgação das conversas.
Promessa de não disputar reeleição
Flávio afirmou que abrirá mão de disputar um segundo mandato, mesmo que o Congresso não aprove o fim da reeleição. O senador também descartou a necessidade de ampliar o mandato presidencial para cinco anos.
Sim, abriria mão. Eu só preciso de um mandato. Eu só quero um mandato para começar a consertar o nosso país de verdade.
Jair e Eduardo Bolsonaro no governo
Flávio descartou nomear o irmão Eduardo Bolsonaro como ministro das Relações Exteriores. Apesar disso, defendeu sua atuação internacional e o classificou como vítima de perseguição política.
O Eduardo é um perseguido político que está lá fora denunciando as arbitrariedades que existem aqui no Brasil. A história ainda vai reconhecê-lo como alguém que se sacrificou para defender a democracia no nosso país.
Sobre Jair Bolsonaro, afirmou que não há planos de oferecer um cargo ao ex-presidente, mas disse que poderá recorrer aos seus conselhos durante um eventual mandato.
Eu tenho o privilégio de, na hora em que precisar consultar um ex-presidente da República, ter um dentro de casa, de confiança. Sou privilegiado por isso, mas ele nunca tratou de cargo comigo.
Críticas ao STF e defesa de Jair Bolsonaro
O candidato acusou ministros do STF de perseguir adversários políticos e impedir o avanço de investigações contra integrantes da Corte. Também defendeu uma reforma do Judiciário para combater privilégios e voltou a questionar a condenação de Jair Bolsonaro.
Os ministros do Supremo Tribunal Federal se protegendo para que investigações não avancem sobre eles. Isso não dá mais. Eles acabaram com a credibilidade do Poder Judiciário.
Questionado sobre Alexandre de Moraes e se Nunes Marques, indicado por seu pai, também deveria ser investigado por suas relações com o Banco Master, o senador afirmou que qualquer ministro que descumpra a lei deve ser responsabilizado, mas desconversou sobre o envolvimento do ministro que foi nomeado por Bolsonaro.
O presidente Bolsonaro foi condenado numa farsa. Foi condenado pelos seus inimigos.
Banco Master e ‘Dark Horse’
Flávio foi questionado sobre os quase R$ 134 milhões solicitados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo os valores apresentados por Renata Lo Prete, aproximadamente R$ 70 milhões foram repassados ao projeto. Apesar de negar qualquer irregularidade, ele evitou explicar as contas do filme.



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