Numa eventual presidência de Flávio, Jair será rei sem trono

Lo Prete não se deu por vencida: “Mas o senhor cogita nomear? Daria um cargo para o seu pai no governo?”. Pela terceira vez, Flávio Bolsonaro desconversou: “Ele nunca tratou disso comigo. Não está no radar”. Numa campanha eleitoral, nunca é uma palavra perigosa. Os candidatos deveriam sempre se lembrar de nunca usá-la.

O filho de Bolsonaro é candidato não a presidente, mas a marionete. Como ventríloquo, seu pai desfruta de privilégios eleitorais que seriam inacessíveis a um preso inelegível — com uma vantagem que nenhum candidato à reeleição jamais teve: a de participar da campanha como sujeito oculto. A presença em sabatinas e debates seria um rebaixamento para o capitão.

Uma eventual presidência de Flávio não proporcionaria ao Brasil a experiência de ser presidido por um Bolsonaro hipoteticamente moderado. Na prática, seria como se Jair Bolsonaro obtivesse um segundo mandato. Seria um rei sem trono. O mito viraria folclore. Nem precisaria de cargos para exercer seu poder presumido.

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