Segundo levantamento feito pelo UOL, mais de 48% dos registros na plataforma foram feitos por pessoas que têm entre 21 e 30 anos. Do total, 90% procuraram a empresa antes de formalizar a queixa junto ao governo federal.
O UOL procurou a Meta para comentar o aumento nos casos e aguarda um posicionamento.

Desde o início do segundo turno das eleições, em 5 de outubro, têm crescido os relatos de contas bloqueadas em perfis do Facebook, Instagram, WhatsApp (todas empresas comandadas pela Meta) e X (antigo Twitter). A maior parte das reclamações é de usuários favoráveis à reeleição do presidente Lula.
Nos últimos dez dias, o que chama a atenção, segundo apurou o UOL, é que não apenas perfis de políticos ou pessoas mais conhecidas na internet vêm comunicando suspensões não justificadas ou outras restrições de funcionalidade, como perda de alcance e quedas bruscas de engajamento. Mas também usuários comuns.
Ontem, reportagem da Folha de S.Paulo revelou, a partir de mensagens internas da Meta obtidas pelo jornal, que funcionários da empresa admitem restrições que prejudicaram as contas do petista na rede social Instagram e também recomendação algorítmica do perfil de Flávio Bolsonaro (PL) na plataforma e no canal do candidato no WhatsApp, prática que é vedada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Em uma das mensagens publicadas, o funcionário da Meta Roberto afirma que a conta de Lula estava “limitada” em comparação à de Flávio e que isso seria negativo pela “alta chance” de haver ação jurídica.
Restrições afetam perfis de pessoas comuns
As dificuldades atingem pessoas anônimas e páginas que não tratam de política.
O perfil no Instagram do primeiro fansite dedicado à atriz e cantora americana Sabrina Carpenter, por exemplo, foi banido pela Meta depois de a conta publicar posts em apoio à reeleição do presidente Lula, cerca de 15 dias antes do primeiro turno.
“No dia da eleição, começamos a postar e repostar stories de uma ‘colinha’ que fizemos com o 13. Alguns caíram sem motivo algum e, no dia seguinte, a conta já não existia mais”, conta a administradora da página, Maria Eduarda Peres.

“Não pode ser coincidência, estávamos divulgando muito as eleições. E o pior é que a conta, que tinha quase 60 mil seguidores e 2 milhões de engajamentos só no mês passado, não será recuperada.” A solução foi criar uma nova (@scarpenterbr) e começar tudo do zero.
O caso de Maria Eduarda não é único. A página “Fandoms com Lula”, citada pelo próprio presidente em ato na avenida Paulista no último domingo, foi suspensa pelo Instagram duas vezes, assim como duas contas e um canal de WhatsApp. “Eles foram restaurados após mobilizarmos a hashtag #MetaCensura”, disse a criadora, Sabrina Oliveira.
Em nenhum dos episódios, segundo Sabrina, a Meta deu justificativas que explicassem adequadamente quais conteúdos ou condutas teriam motivado as medidas. “Consideramos fundamental que a Meta informe quais regras teriam sido violadas e ofereça meios efetivos de contestação e revisão, com transparência e oportunidade de defesa”, afirmou.
A CTRL+Z, organização que investiga e combate abusos das big techs no Brasil, já contabilizou 1.187 casos de restrições a perfis no Facebook, Instagram, X e WhatsApp. Cerca de um terço diz respeito a relatos de supressão de alcance (perda de alcance + downrank na busca) e 13% envolvem banimentos definitivos, a punição mais grave.
“A maioria dos afetados são cidadãos comuns, mas há dezenas de influenciadores, comunicadores, pesquisadores e movimentos estudantis e sociais também, o que comprova que a interferência da Meta é difusa”, afirmou o diretor de litigância da CTRL+Z, Luã Cruz.
Entre artistas, um dos primeiros casos de censura foi a retirada do ar de um minidocumentário sobre o envolvimento de Flávio Bolsonaro no escândalo do Banco Master, gravado pelo humorista Fábio Porchat e publicado pelo projeto Revelando Brasil. Em 23 de setembro, o programa foi derrubado pelo Instagram porque estaria violando padrões da comunidade. Após repercussão negativa, a empresa voltou atrás e restaurou o perfil, pedindo desculpas pela inconveniência.
Caso Janones fez TSE criar regra
Neste segundo turno, o caso mais emblemático é o do canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) no WhatsApp. Mas, apesar de também ser da Meta, a plataforma não está nas estatísticas do Ministério da Justiça porque a adesão é voluntária.
Além disso, o vaivém envolvendo a iniciativa do parlamentar que reúne 4,8 milhões de seguidores não tem relação direta com a Meta, mas sim com decisões do TSE, que ora autoriza e ora derruba o canal.

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