ABPA espera decisão técnica da União Europeia sobre carne de aves do Brasil

A indústria brasileira de carne de frango espera uma avaliação técnica da União Europeia sobre a liberação de exportações do produto ao bloco e considera que a resolução da questão é apenas burocrática, já que o setor demonstrou, durante missão europeia recente ao Brasil, que cumpre as normas de uso de antimicrobianos nos planteis. A avaliação foi feita pelo presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, em entrevista na Sial Paris, na capital francesa.

“Não vejo a possibilidade de uma decisão política contrária a um argumento técnico bem colocado. Temos confiança no sistema europeu e seu funcionamento, mas se vier uma decisão que não seja técnica, vamos procurar o governo para que responda”, disse ele, neste domingo (18/10), em entrevista na Sial Paris, na capital francesa.

O comércio de produtos de origem animal do Brasil para a União Europeia está suspenso desde o dia 3 de setembro. Autoridades sanitárias do bloco fizeram uma vistoria nas cadeias produtivas de aves e mel no fim de agosto e avaliaram que há condições de produzir de acordo com as exigências.

Mais recentemente, o comissário para o Comércio e Segurança Econômica da União Europeia, Maroš Šefčovič, relatou a ministros brasileiros que as compras de carne de aves e mel deverão ser retomadas “no curto prazo” após as avaliações técnicas positivas.

A decisão caberá ao Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da União Europeia (Scopaff), que se reúne entre os dias 20 e 21 de outubro e, depois, em novembro. A previsão é de que, nesta semana, haja uma avaliação do relatório e, na próxima reunião, a votação.

As exportações podem recomeçar quando a decisão do Comitê estiver publicada. O Ministério da Agricultura considera mais provável que essa publicação saia até o início de dezembro, disse o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Augusto Billi, também durante a Sial Paris.

Santin afirmou aos jornalistas que a indústria de carne de frango está pronta para recomeçar os embarques para a União Europeia “no dia seguinte” à publicação. Explicou que o setor não interrompeu a produção que tem o bloco como destino.

Atualmente, 98% da produção brasileira de carne de frango está sob sistema de integração entre empresas exportadoras e avicultores. Considerando só o que vai para a União Europeia, são 100%.

“Se não vende para a Europa, vai vender para outro lugar. Não vai desmobilizar o sistema e ficar esperando. A diferença é ter ou não a liberação. Quando acontecer, estaremos prontos para embarcar produto no dia seguinte”, disse ele, acrescentando que os compradores já sinalizaram interesse na carne de frango brasileira.

Pelo acordo comercial Mercosul e União Europeia, as exportações de carne de frango do bloco sul-americano para o europeu estão sujeitas a uma a uma cota que, em seis anos, deve chegar a 180 mil toneladas.

Santin explicou que essa cota deve ser distribuída entre os países do Mercosul com habilitação para embarcar. Começou neste ano com 30 mil toneladas, que o Brasil utilizou na totalidade. Em 2027, mais 30 mil serão agregadas.

O presidente da ABPA informou, além disso, que a participação de cada país sul-americano ainda está em discussão com a Argentina e Uruguai. E não há uma definição do quanto caberá a cada um.

*O jornalista viajou a convite da Apex Brasil

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