Arroba do boi vai ‘explodir’ se não houver freio de exportação à China ainda em 2026, diz analista

boi gordo China
Imagem gerada por IA

O mercado físico do boi gordo registrou mais uma semana de preços em alta, sustentado pela oferta restrita de animais e pelo posicionamento pouco confortável das escalas de abate, concentradas entre cinco e seis dias úteis na maior parte das regiões brasileiras.

Conforme o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, apesar da manutenção do viés de valorização, a semana apresentou um movimento mais comedido, com reajustes pontuais e maior estabilidade nas principais referências. No entanto, o ingrediente China pode fazer os preços da arroba “explodirem” nos últimos meses do ano.

“O mercado continua carregando expectativas favoráveis para o último trimestre, período que tradicionalmente concentra o auge do consumo doméstico de carne bovina”, avalia.

Embarques para a China

Segundo Iglesias, a retomada de um maior volume de embarques para a China também permanece como um importante elemento de sustentação. “A estratégia mais provável envolve a produção durante outubro e o embarque ao longo de novembro e dezembro, buscando a chegada das cargas em janeiro para utilização da cota de 2027”, destaca.

Nesse cenário, o especialista ressalta que caso o governo federal atenda ao pedido da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) para que haja um sistema interno de gestão da cota, colocando um freio nos embarques para que a cota do ano que vem não se esgote antecipadamente, as cotações da arroba tendem à estabilização, com altas pontuais.

“No entanto, se esse sistema de gestão interno não for contemplado, o preço da arroba vai explodir porque poderemos embarcar para a China até 400 mil toneladas de carne entre novembro e dezembro, elevando muito a demanda”, ressalta.

Para 2027, a cota de exportação de proteína bovina para a China é de 1,128 milhão de toneladas, 2% a mais do que o limite que foi fixado em 2026, de 1,106 milhão de toneladas.

Preços médios da arroba do boi

Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 15 de outubro:

  • São Paulo (Capital): R$ 385, avanço de 1,32% frente aos R$ 380 praticados no encerramento da última semana
  • Goiás (Goiânia): R$ 365, aumento de 1,39% ante os R$ 360 registrados no final da semana anterior
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 370, alta de 1,37% em comparação aos R$ 365 do fechamento da semana passada
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 370, inalterado frente ao encerramento da última semana
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 350, avanço de 1,45% perante os R$ 345 praticados no fechamento da semana passada
  • Rondônia (Vilhena): R$ 365, alta de 1,96% em relação aos R$ 358 registrados no final da semana passada

Mercado atacadista

Conforme Iglesias, o mercado atacadista de carne bovina operou com preços firmes durante a semana.

“A expectativa relacionada ao consumo no último trimestre oferece sustentação às cotações, mas o potencial de novas altas permanece limitado pela maior competitividade da carne de frango e dos cortes suínos.”

  • Quarto do traseiro bovino: R$ 29,50 por quilo, aumento de 3,51% ante os R$ 28,50 registrados no encerramento da semana passada
  • Quarto do dianteiro do boi: R$ 22,00 por quilo, avanço de 2,33% frente aos R$ 21,50 praticados no encerramento da última semana

Exportações de carne bovina

carne bovina - autoembargo
Foto: Abiec

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 377,937 milhões em outubro até o momento (7 dias úteis), com média diária de US$ 53,991 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A quantidade total exportada pelo país chegou a 61,321 mil toneladas, com média diária de 8,760 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.163,30.

Em relação a outubro de 2025, houve baixa de 33,1% no valor médio diário da exportação, queda de 39,9% na quantidade média diária exportada e avanço de 11,3% no preço médio.

*Com informações de Safras News

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