A nova aposta de Lula para a reta final da eleição

Os pagamentos do Bolsa Família com o reajuste de 15% começaram nesta segunda-feira, 19. A mudança ocorre na reta final da campanha eleitoral, no momento em que o presidente Lula (PT) tenta uma virada de última hora diante do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Lula anunciou o reajuste do benefício em 17 de setembro, falando pouco mais de duas semanas para o primeiro turno do pleito. Curiosamente, o governo federal decidiu pelo reajuste somente após ter enviado ao Congresso Nacional a proposta de orçamento para o ano que vem. No orçamento, não estava previsto o reajuste do Bolsa Família.

Em entrevista à Rede Globo, na semana passada, Lula alegou que não sabia que o Bolsa Família estava há três anos sem reajuste.

“Eu não quero que você ouça a reunião que eu tive com meus ministros quando eu fiquei sabendo que o Bolsa Família não tinha sido reajustado. Eu não sabia. É inexplicável que, no governo do Lula, alguém pense em não reajustar. É impensável. Mas aconteceu”, afirmou o petista.

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Além do reajuste do Bolsa Família, o governo federal também resolveu antecipar o calendário de pagamentos do programa.

Medida preventiva ou eleitoreira?

Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, a antecipação dos pagamentos é uma medida preventiva diante dos efeitos previstos do super El Niño sobre famílias em situação de vulnerabilidade.

Pelo calendário regular, os pagamentos começaram nesta segunda-feira para beneficiários com NIS (Número de Identificação Social) terminado em 1. Na terça (20), recebem aqueles com NIS final 2. A partir de quarta, todos os demais — NIS terminados de 3 a 9 e 0 — terão o benefício liberado simultaneamente.

O governo atribui a decisão ao aumento dos registros de situações de emergência e calamidade pública. Segundo dados citados pelo MDS, foram reconhecidas 518 ocorrências desse tipo em agosto e setembro deste ano, mais que o dobro das 253 registradas no mesmo período de 2025.

A maior parte da alta ocorreu no Sul, onde registros relacionados a chuva, granizo, vendaval e inundação passaram de 81 para 272. No semiárido, os reconhecimentos relacionados a estiagem e seca subiram de 172 para 239, alta de 39%. Justamente na região onde Lula tem maior dificuldade com o eleitorado.



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