
As lavouras de trigo no Paraná tiveram nova piora nas condições de cultivo, com 54% das áreas ainda a colher classificadas entre médias e ruins, segundo dados divulgados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), no Boletim Conjuntural semanal de quinta-feira (15). As chuvas frequentes comprometem a qualidade dos grãos e podem reduzir ainda mais a produção estadual.
Na área de 182 mil hectares que ainda falta colher, 12% das lavouras estão classificadas como ruins, 42% como médias e 46% como boas. Na estimativa anterior, referente a 21 de setembro, os índices eram de 7% de áreas ruins, 29% médias e 64% boas, quando ainda havia 392 mil hectares pendentes de colheita.
A deterioração das condições ocorre mesmo em lavouras de médio e alto potencial produtivo. Segundo dados divulgados pelo Deral, o avanço da colheita de 210 mil hectares nas últimas semanas foi acompanhado por chuvas frequentes, que comprometeram a qualidade do grão.
A previsão meteorológica indica a continuidade das chuvas no Paraná. Apesar disso, períodos pontuais de tempo firme podem permitir a retomada dos trabalhos no campo, embora dificilmente em condições ideais.
O cenário amplia os desafios para os produtores de cereais de inverno no estado, que buscam alternativas para antecipar a colheita antes da chegada da primavera.
Em anos de El Niño forte, como o ciclo atual descrito no boletim, a vulnerabilidade do setor se torna ainda mais crítica, aumentando as dificuldades para conduzir as lavouras e concluir a retirada dos grãos.
Uma nova reestimativa da safra está programada para 29 de outubro. Segundo dados divulgados pelo Deral, a atualização deverá indicar uma redução ainda maior na produção de inverno paranaense, com possíveis reflexos sobre a oferta de trigo e de outros grãos em fase de colheita.
Na estimativa de produção divulgada em 21 de setembro, a previsão já apontava uma queda de 10% na produtividade do trigo. A piora recente das condições das lavouras e os problemas de qualidade associados às chuvas aumentam a preocupação com o resultado final da safra.
Os preços do trigo subiram 5% em setembro, em reação à menor disponibilidade interna, e permaneceram estáveis na primeira quinzena de outubro. Apesar da pressão exercida pelo cenário cambial e pela queda das cotações internacionais, a escassez de trigo de alta qualidade continua sustentando os preços no curto prazo. Com a colheita ainda em andamento e a previsão de novas chuvas, o comportamento da oferta e a qualidade dos grãos serão fatores importantes para o mercado nas próximas semanas.

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