Uma publicação de André Janones (Rede-MG) com a frase “quem é Mariana?” e o pedido para o canal de WhatsApp “Exército do Lula” usar a hashtag #QuemEMarianaFlavio colocaram em alta buscas que associam Flávio Bolsonaro (PL) ao caso das “rachadinhas” na Alerj, arquivado pelo MP.
Entenda a busca ‘Quem é Mariana?’
Janones publicou “quem é Mariana?” e, depois, pediu que um canal de WhatsApp impulsionasse a hashtag #QuemEMarianaFlavio. O deputado usa o canal “Exército do Lula”, com mais de sete milhões de seguidores, para incentivar buscas negativas ligadas ao passado de Flávio Bolsonaro, que disputa o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Quem é Mariana ?
— André Janones (@AndreJanonesMG) October 21, 2026
O deputado não identificou a quem se referia nem explicou o motivo da publicação. A mobilização, porém, remete ao nome de Mariana Lúcia da Silva Ramos Mota, que aparece em apurações reveladas pelo UOL do caso das “rachadinhas”, do qual Flávio era apontado como líder.
Mariana Mota foi chefe de gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e é citada como operadora do esquema antes de Fabrício Queiroz. Em relatório apresentado à Justiça, o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) apontou que ela teria exercido a função de arrecadação de valores repassados por assessores no período em que ocupava a chefia de gabinete.
O MP-RJ indicou que Mariana recebeu R$ 39,4 mil em 15 transferências de um ex-assessor, entre janeiro de 2007 e março de 2008. As transferências foram feitas por Jorge Luis de Souza e, de acordo com o Ministério Público, o valor correspondia a 45% do salário do servidor; quando Mariana deixou o cargo, os repasses teriam passado a ser destinados à conta de Queiroz.
Quebras de sigilo bancário e fiscal analisadas no caso indicaram saques em espécie e repasses para a conta de Mariana por funcionários do gabinete. Em uma das apurações, o MP-RJ afirmou que, no período em que trabalhou na Alerj, Mariana sacou cerca de 40% do que recebeu, o que totalizaria R$ 134 mil.
Pagamentos atribuídos a Mariana Mota
Movimentações bancárias atribuídas a Mariana Mota indicaram pagamentos de despesas locatícias de uma quitinete no centro do Rio usada por Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio. Ele é primo de Flávio Bolsonaro e, em 2007, constava como assessor de Flávio na Alerj.
Foram cinco transferências em 2007 para Norival Dantas, apontado como locador do imóvel. Os valores registrados foram de R$ 503 em fevereiro (com identificação “al.leo”), R$ 460 em março (com anotação “condomin”), R$ 503 em maio (“leo”), R$ 500 em julho (“aluguel”) e R$ 500 em agosto (“leo”).
Na mesma apuração, o MP-RJ apontou que Mariana recebeu repasses de outros funcionários do gabinete de Flávio. O material também registrou que Léo Índio fez pagamentos a Norival Dantas em meses diferentes daqueles em que Mariana realizou transferências.
Vínculos citados na investigação
Mariana Mota é descrita como amiga e confidente de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-madrasta de Flávio e segunda mulher de Jair Bolsonaro. Ela chefiou o gabinete do primeiro mandato de Flávio como deputado estadual, entre 2003 e 2007, período em que Queiroz e Miguel Ângelo Braga Grillo passaram a integrar o gabinete na Alerj.
O Ministério Público também citou a nomeação da filha de Mariana, Catarina Ramos Mota, como assessora e sua participação societária em empresa ligada a Ana Cristina. De acordo com relatório citado na apuração, Catarina tinha participação na Siscomp Sistema de Telefonia Computadorizada, empresa de Ana Cristina.
Caso das rachadinhas foi arquivado
As acusações de rachadinha contra Flávio foram arquivadas antes do julgamento. Em 2021, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) acolheu um recurso da defesa do senador e anulou as decisões da Justiça do Rio na investigação, por entender que elas não foram tomadas pelo juiz certo para julgar o caso. Para o STJ, a investigação deveria ter sido conduzida pelos desembargadores do TJ-RJ e não por um juiz de primeira instância, como ocorreu.
Em novembro do mesmo ano, o STF anulou os relatórios do Coaf que embasaram a acusação. Foram estes relatórios que expuseram a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão de Fabrício Queiroz entre 2016 e 2017. Flávio e Queiroz sempre negaram as acusações.
Decisão de Gilmar Mendes anulou os relatórios. Ministro considerou que compartilhamento de informações com o MP-RJ foi ilegal por não haver nenhuma investigação autorizada contra Flávio quando os relatórios foram enviados ao MP. Decisão foi chancelada pela Segunda Turma do STF.
Na prática, as duas decisões inviabilizaram a denúncia. O próprio Ministério Público chegou a pedir a anulação da denúncia ao TJ-RJ, uma vez que as decisões da investigação, conduzidas pelo juiz de primeiro grau Flávio Itabaiana, haviam sido anuladas.
Na sequência, os investigadores mudaram de posição e ainda tentaram recorrer para reabrir o caso, o que foi negado pelo STF em 2025. Ao analisar o pedido, o ministro Gilmar Mendes lembrou que o próprio Ministério Público recorreu depois do prazo adequado e, por isso, não seria possível reabri-lo. Na prática, o caso acabou encerrado e não há margem para o MP reaproveitar as provas da investigação.
* Com informações de reportagens publicadas em 15/03/2021, 15/03/2021 e 18/12/2019.


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