A secretária Municipal de Cultura de Natal, Iracy Gois de Azevedo, fez um comentário hoje em uma postagem do Instagram defendendo voto em Flávio Bolsonaro (PL) para presidente e afirmando: “Somos família, higiene, limpeza”.
O comentário foi feito uma mensagem feita pelo vereador e deputado estadual eleito Daniel Valença (PT) e pelo Comitê de Luta Popular do RN. Ela recebeu várias críticas e, no fim da tarde, deletou o comentário.
A postagem foi feita para divulgar a decisão do desembargador eleitoral Paulo Pinheiro que determinou que o deputado General Girão (PL) e a deputada estadual eleita Camila Araújo (PL) mantenham equipamentos de som a pelo menos 200 metros de instituições de ensino durante manifestações político-eleitorais das quais participem ou às quais deem apoio.

A decisão destaca incidente que ocorreu na segunda-feira à noite, quando um ato contra o presidente Lula no campus da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) terminou em confusão e pancadaria.
A UFRN afirmou que o ato foi feito sem autorização e usou equipamentos de som e fogos de artifício, atrapalhou aulas e danificou equipamentos públicos.
Após a repercussão da resposta, que cobraram explicações da secretária, Iracy —que também é presidente da Funcarte (Fundação Capitania das Artes)— apagou o comentário.
O UOL procurou a Secretaria de Comunicação da prefeitura para saber se ela poderia explicar o que ela quis dizer com higiene e limpeza, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.
O deputado eleito Daniel Valença gravou um vídeo após o episódio em questionou a fala da secretária.
“Eu não sei o que ela está querendo dizer com higiene e limpeza. Não sei se é um comentário fascista, de que quer eliminar o adversário, então vai limpar o adversário, tirá-lo do mapa. Eu não sei se é um comentário higienista de que trabalhadores, pobres, vão ser derrotados, então eles são a candidatura da limpeza social. O que eu sei é que não é a candidatura da família.”
A vereadora Brisa Bachi (PT) também cobrou explicações e disse que a postagem vai além da crítica política. “É grave que uma pessoa à frente de uma pasta que lida com a diversidade reproduza esse tipo de discurso que alimenta o ódio, reforça a intolerância e abre espaço para mais discriminação. Quem ocupa um cargo público precisa ter responsabilidade com aquilo que diz.”

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