“Prometeu picanha e entregou abóbora”, diz Flávio a Lula

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) resgatou a promessa de picanha feita por Lula (PT) na campanha eleitoral para atacar o presidente durante o debate da Globo, nesta sexta-feira, 23. Ao discutir o endividamento dos brasileiros, Flávio afirmou que o petista prometeu melhorar a vida da população, mas não entregou o resultado esperado.

“O concorrente prometeu picanha e entregou abóbora, chegou ao ponto de falar a seguinte frase: ‘A comida tá cara, mas…’. Pô, você tá achando a comida barata do povo brasileiro que tá endividado?”, declarou.

Flávio também ironizou os programas de renegociação de dívidas lançados pelo governo petista e questionou a criação de uma nova edição do Desenrola.

“Lula, você enrolou o povo brasileiro uma vez, você enrolou o povo brasileiro com o segundo Desenrola, você tá enrolando o povo brasileiro de novo? O terceiro Desenrola”, afirmou.

O candidato do PL disse que mais de 80 milhões de brasileiros estão com contas atrasadas e atribuiu o cenário aos juros elevados e aos gastos do governo federal.

“O brasileiro antes parcelava um fogão, parcelava um micro-ondas, parcelava a geladeira, agora parcela o que tem dentro da geladeira”, declarou.

Na sequência, Flávio usou outro exemplo para ilustrar as dificuldades financeiras das famílias. “As pessoas estão parcelando até pizza no iFood em seis meses. É porque, se não parcelar a pizza, não consegue vender a pizza”, afirmou.

Flávio promete transformar Caixa em “Itaú das Favelas”

O candidato também criticou as condições de financiamento imobiliário e citou contratos da Caixa Econômica Federal. Segundo ele, uma das principais reclamações recebidas pela ouvidoria do banco seria a de clientes que pagam prestações há anos sem observar redução do saldo devedor.

“É algo desesperador. É porque tá tudo atrelado à taxa de juro do seu governo. E é muito cara”, disse.

Flávio ainda acusou Lula de gastar mais de 400 bilhões de reais para tentar se reeleger. A declaração foi feita durante a discussão sobre as despesas do governo e as promessas para o próximo ano. O valor e sua relação com a campanha precisam ser confrontados com dados orçamentários antes de serem apresentados como fatos.

Como alternativa, o candidato prometeu transformar a Caixa no “Banco da Prosperidade”, com financiamento para pequenos empreendedores e moradores de comunidades. Ele afirmou que pretende facilitar a formalização de negócios e ampliar o acesso ao crédito.

“Vai ser o Itaú das Favelas, o Bradesco da Periferia, esses bancos de rico, a Caixa tem que funcionar para você que precisa”, declarou.

Flávio também associou o desenvolvimento econômico das comunidades à segurança pública e afirmou que a ausência do tráfico de drogas permitiria maior circulação de pessoas e atividade comercial.

Lula defende programas de renegociação

Ao responder, Lula defendeu as iniciativas de renegociação de dívidas de seu governo e afirmou que o primeiro programa atendeu 15 milhões de pessoas, enquanto o segundo alcançou quase 16 milhões.

O presidente disse que a nova edição busca ajudar os brasileiros a sair do endividamento e recuperar a capacidade de consumo.

A discussão expôs duas abordagens diferentes para enfrentar o problema: Flávio responsabilizou os juros e os gastos do governo e prometeu ampliar o acesso ao crédito, enquanto Lula destacou os programas de renegociação já implementados por sua gestão.



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